segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Going to Katima Mulilo



( o "Onibus" que me trouxe muitas surpresas no caminho)

Going to Katima Mulilo

Às 7 horas da manhã do dia 18 de setembro de 2009, eu levantei, tomei um banho, comi uma fatia de pão com geléia e um copo de leite e fui para a estrada com toda a minha bagagem pegar um táxi para o posto de gasolina (estação de ônibus).

Cheguei ao posto eram 8 e pouco da manhã e descobrimos uma Van que iria partir para Katima. Paguei 190 dólares namibianos (20 dólares e pouco), peguei o banco ao lado do motorista e esperei...esperei... e esperei. Pois aqui uma Van só parte para a viagem quando estiver lotada, não há horário.

Fomos partir, eram 11 e pouco da manhã...
A Van chinesa estava caindo os pedaços, dava pra ver de cara, mas realmente não dá pra escolher muito, até porque as outras geralmente não são diferentes também.Bom, partimos e eu já estava com uma sensação um pouco ruim quanto à viagem, mas tentei não me preocupar.

Após 200 kilometros de viagem o motor da Van ferveu e tivemos que parar. A parada foi em uma área nada desenvolvida, onde havia tribos e vilarejos, achei interessante pra poder chegar mais perto destas pessoas e apreciar melhor o modo de vida deles. O motorista da Van foi pedir água nos vilarejos para colocar no carro, deu uma dorzinha no peito, pois as pessoas não se recusaram em momento algum, mas eu as via passando a caminho de algum rio ou poço que não parecia ser perto, com seus containeres na mão e nós lá usando a água pro motor do carro. Foi bem ruim.

( na estrada com o onibus quebrado)

Bom, o motor ferveu, mas não fundiu mesmo em altíssima temperatura. Abrimos o motor que era embaixo dos nossos bancos na frente. Eu disse ao motorista que provavelmente estava vazando água e a ventoinha não estava funcionando também, mas ele não me ouvia e foi até engraçado apreciar a cena dos 3 Africanos em volta do motor, olhando, olhando e um falava pro outro: “É algo muito fácil de resolver, o problema que não sabemos o que é...”, eu estava me divertindo, os caras não manjavam nada de carro e ficaram discutindo coisas óbvias. Eu já sabia que nós não chegaríamos nem a próxima cidade que era há 15 kilometros dali, porque o motor ainda pegava, mas já estava arregaçado. O cara botou água no motor, disse à ele que ele tinha que ligar o motor para botar água, pois senão travaria o bloco, ele ligou, mas quando eles viram que quando água batia lá dentro fervia e era cuspida para fora novamente, decidiram que isto acontecia porque o carro estava ligado e desligaram...rsrs...eu estava só de canto, cada decisão desta eu guardava na memória para escrever depois...hahaha. Eu estava me divertindo.

O problema mesmo eu já sabia qual era, mas o motorista não se conformava com o motor quente daquele jeito e ficava o tempo todo dizendo: “What’s wrong man? What’s wrong man?” ( o que há de errado) e apavorado. Até que conseguimos andar mais alguns 5 kilometros com o carro e aí o motor fundiu de vez. Paramos e eles insistiam que era só colocar água, que o problema era que não estava cheio de água até a boca...até que um senhor do último banco, trouxe uma idéia inovadora, foi interessante, não funcional, mas interessante. Para ele o problema era radiador sujo, então tinha que fazer o carro funcionar com coca cola ao invés de água. Que limparia tudo...rsrs. Eu só ria de longe e comecei a perceber que se ninguém nos buscasse ali, dormiríamos por ali mesmo.

E era o que parecia que viria a acontecer. Pois ligavam para o dono da Van e ele dizia que estava vindo, mas nunca dizia quanto tempo e nem quando.

Aproveitei para dar uma volta pelas vilas pra ver mais de perto as casas e as pessoas, tirar algumas fotos, porém, fotos mesmo não consegui muitas. Pois percebia que as pessoas estavam com receio de mim e muito, se eu sacasse a câmera ali na frente delas do nada, era capaz deles se sentirem ameaçados.As crianças passavam e não conseguiam parar de me olhar, carregavam água e quase perdiam o caminho de tanto que fixavam os olhos em mim, foi uma experiência interessante.
(rolezinho na vila!)
Enfim, estávamos ali parados ainda, sem expectativas alguma quanto à ajuda. Com o passar das horas, as pessoas foram ficando irritadas e começando a cobrar do motorista soluções que realmente ele não poderia trazer. Mas é engraçado, mesmo nestas horas eles são muito sossegados, sempre sai uma piadinha e as pessoas não conseguem ficar sem rir. Isto é bom. Ajudou bastante.

O medo surgiu nas pessoas também, é engraçado que eu estava sossegado, curtindo tudo, aproveitando para conhecer mais sobre as pessoas e suas ações. E eles começaram a se preocupar com a possibilidade de dormir por ali mesmo, começaram a falar do cair da noite, de leões, de elefantes que destroem carros e de malária, mesmo assim eu ainda estava tranqüilo, mas esperando que se fosse pra dormir ali, que pelo menos rende-se a foto de um belo leão...rsrs.

Bom, quando a noite caiu, todos fomos para dentro da Van e nos trancamos por lá, o cheiro realmente não era bom, aliás, estava ruim demais. Mesmo assim dormir por um tempinho, eu acordei quando uma outra Van chegou para nos socorrer 7 horas depois de tudo começar e nela estava o dono da “bela” frota.
Fomos puxados até a próxima cidade e seguimos viagem com a outra Van, que não era chinesa. Ufa! Mas bem velha também.
Eu estava faminto e com muita cede, mas não havia nada aberto no caminho.

No caminho passamos em uma área que soube que os elefantes atravessam a estrada o tempo todo e que os leões dormem no meio da estrada. Realmente havia muita sinalização quanto aos elefantes e no final das contas acabei vendo um, mas como era à noite, não pude reparar muito, mas foi muito show ter esta oportunidade, depois disto pude dormir mais ou menos. Acordava de tempos em tempos e vi algo que era triste, muitas queimadas, devido ao calor que faz aqui. A noite era clareada pelo fogo na beira da estrada que invadia as florestas. Era bem triste mesmo, havia muitos focos no caminho.

Seguimos viagem até que às 3 horas da manhã, cheguei a Katima Mulilo, liguei para o Protázio meu Project Leader aqui e ele me buscou a pé com outro voluntário da casa, andamos pacas e minhas malas estavam muito pesadas, foi um momento bem ruim mesmo. Mas finalmente em casa!

Cheguei, comi, não tinha água, então dormi, sem tomar banho mesmo, estava quebrado.

Felipe Gomes

Um comentário:

F.Mendes disse...

Wow, uma foto do leao valeria a pena... hehehe... Se cuida ai, abracao!