segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Strange Week!


(Felipão - Tarde de sabado)

Olá a todos!

Esta semana, como diz o título em inglês foi uma “Semana Estranha”.
Realmente não sei por que decidi intitular desta maneira, mas é como me sinto exatamente no momento em que escrevo.

Devido às eleições neste final de semana, a semana tornou-se improdutiva. Na segunda feira, como de praxe, nos reunimos no escritório para planejar a semana e tratarmos de assuntos pendentes. Na terça feira foi decidido que não iríamos fazer as visitas aos vilarejos, assim poderíamos finalizar o que estava pendente no escritório, planejar a quarta feira que seria o último dia da semana e “of course” economizar o rico dinheirinho da organização.

A quarta feira seria o último dia da semana devido às eleições na sexta e sábado. Como dizem eles, não trabalhar é um direito adquirido como Namibianos que são. Quem sou para contestar, não é.

Então na quarta feira, fizemos o encontro de todos os oficiais de campo que semanalmente ocorre as sextas feiras. O ritmo era de feriado, ninguém estava a fim de nada, e todos não viam a hora de ir embora e esquecer por quatro dias quem são, no que trabalham e suas rotinas. Foi o que senti! Uma desmotivação indescritível.

Aliás, motivação é uma palavra que eles não conhecem por aqui, tanto os líderes como os oficiais, ninguém se motiva e ninguém sabe motivar. Isto é um erro grave, pois a importância disto é enorme, por trás da motivação há uma série de palavras como, eficácia, desempenho, qualidade, resultados e etc. E é evidente o efeito que isto vem causando quando falamos de números.

Bom, a semana acabou na quarta feira, todos livres, leves e soltos para fazerem o que quiserem, ou seja, os bares da cidade estavam lotados, as garrafas de cerveja nas ruas triplicaram, a música estava duas vezes mais alta e a eleição, que tem sinônimo de festa para eles, estava chegando.

Havíamos decidido que mudaríamos de casa no domingo, pois o contrato da casa onde moro acabou e descobri isto a pouquíssimo tempo atrás, foi quando descobri também que não tínhamos outra casa ainda e que ninguém estava se preocupando muito com isto. Esta realmente era uma situação para se preocupar já que em Katima Mulilo achar uma casa razoável para morar é difícil.

Na quinta feira à noite, fui à casa de alguns voluntários que conheci na região para celebrar “Thanks Given”, ação de graças americana. Lá, pude conhecer em torno de 15 voluntários, maioria americanos, dois australianos, uma inglesa e um japonês. Isto foi muito interessante e provavelmente escreverei futuramente sobre meus novos amigos!

Sexta feira de manhã, resolvi que faria uma cobertura das eleições, visitando os lugares de votação, andando nas ruas. Meu objetivo era apreciar o comportamento das pessoas e a organização do País.

A situação estava muito tranqüila, quase não havia movimento para as eleições e nas ruas não pude ver nenhum conflito, nem mesmo campanhas. Ouvi de outras pessoas que algumas brigas aconteceram, mas nada demais. No caminho de volta para casa em torno de uma hora da tarde, recebi a ligação da responsável do projeto, dizendo-me para ir para casa, pois teríamos que mudar imediatamente por ordem do dono da casa, foi até engraçado pensar que eu tinha todas as minhas coisas para organizar ainda. A Eunjung já havia arrumado as malas delas, pois ela iria para Rundu visitar o Marcão, o Namibiano que vive em minha casa, organizou todas as malas e as coisas dele e foi visitar a família do outro lado do país, ou seja, eu estava sozinho naquele momento e talvez poderia contar com a ajuda do Toivo, namibiano que também mora na nossa casa, mas nunca esta la. E foi o que aconteceu, fiz a primeira viagem com o dono da pick-up que não estava nem um pouco afim de carregar nada e com uma pressa que estava me deixando irritado, mas tudo bem, fiz o possível e o impossível, quando voltamos para a segunda viagem, Toivo estava la para ajudar e conseguimos concluir 50% da mudança, quando o dono da pick-up nos disse que teria que ir embora e voltaria a noite para continuar. Não pudemos discutir e eu sabia que ele não voltaria, talvez no dia seguinte. O importante é que as minhas coisas e as da Eunjung estavam salvas, pois foram as primeiras.

Eu fico impressionado como o povo aqui tem o dom de desaparecer em um piscar de olhos, eles sempre têm uma desculpa para não trabalhar continuamente. Trabalho é algo que assusta aqui.

Para onde mudamos? Ficaremos momentaneamente na casa dos líderes do projeto, dividindo os espaços e quartos com eles, que realmente não estão nada felizes e por isto acredito que encontraram uma casa para nós o mais rápido possível, enquanto isto, fico tranqüilo por lá, assistindo Sky news, BBC entre outros canais na TV a cabo que eles possuem. Rsrs (na verdade eu não gosto de TV, mas...)

No sábado às sete horas da manhã o motorista da pick-up apareceu para fazer o resto da mudança, e descobri que não havia ninguém para ajudar. O problema é que todos desapareceram como sempre e ainda tínhamos que trazer geladeira, fogão e armários, os mais pesados da casa.

O chefe da Eunjung estava em casa e pedimos a ajuda dele, mas ele disse que não iria ajudar, pois tinha alguns compromissos e que realmente não queria ajudar, pois a responsabilidade era dos outros que simplesmente sumiram. No final de tudo conseguimos convencê-lo de fazer apenas uma viagem, carregando a geladeira e o fogão, já ajudou bastante. Após isto, o motorista disse que iria arranjar outras pessoas para ajudar e voltaria para continuarmos...

Hoje é domingo e as coisas ainda estão aguardando na casa! Hahahaha!

O bom é que tive uma noite de sábado muito show na casa de uma amiga, onde conheci um casal que estava de passagem por Katima, vindo direto da Coréia do Sul. Eles como americanos que são estavam há um ano dando aulas de inglês e agora estão voltando para casa com direito a escala em alguns países da África para matar a saudade, pois antes da Coréia, eles foram voluntários na África por 2 anos! Foi uma noite ótima!!!

Acredito que hoje, domingo, não farei nada fora de casa, pois esta chovendo hoje em Katima Mulilo, vou apenas aproveitar a ausência dos meus colegas de quarto e estudar, descansar, escrever, de tudo um pouco!

Vida em Katima Mulilo – capitulo 16...haha!

Valeu galera!

Um abraço a todos!

sábado, 21 de novembro de 2009

Pare, pense, escute, reflita!


(Felipe Gomes - Outubro/2009 - Namíbia, Africa)

Outro dia, andando pela rua encontrei um senhor abaixado no chão de areia e com o ouvido colado no chão!

Parei e perguntei-lhe: O senhor esta bem? Precisa de alguma ajuda?
E ele me disse: Sim, preciso da sua ajuda!

Perguntei-lhe qual era o problema e ele me respondeu: Abaixe-se aqui e você verá.
Me abaixei e ele me pediu que encostasse o ouvido no chão e perguntou: Ouves?
Exclamei: Não! Não consigo ouvir nada.
Preste atenção! E você verá.
Me concentrei e coloquei todas as forças de todos os meus sentidos para conseguir ouvir algo.
Quando ouvi uma batida contínua e fraca, lá no fundo, como se viesse de muito longe.
Sim! Eu ouço uma batida.
E como a sente?
Fraca e longínqua!
Vês, o coração da Terra já não é o mesmo, por isto preciso da tua ajuda!
Espantei-me com a exclamação enquanto continuava ouvindo a fraca batida.
Perguntei: Quem é o senhor?
Aguardei a resposta e quando me virei para perguntar novamente, me deparei com ninguém.

Vês, o coração da Terra já não é o mesmo, por isto preciso da tua ajuda!

O que estamos fazendo?

Preserve, haja com responsabilidade, cuide melhor do nosso Planeta e de nós mesmos!

Abraços!

Felipe Gomes.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Melhorando a qualidade de vida!


(Mosquiteiros neles!)

Hoje é mais um dia bom em minha "African Life"!

Acordei cedo, como todos os dias. Fui direto ao escritório para encontrar o responsável pelos oficiais de campo e irmos juntos a um vilarejo afastado distribuir Moskito nets (mosquiteiros) na região, combatendo assim a propagação da Malária!

Tinhamos no escritório 200 mosquiteiros para distribuição já há um bom tempo. O problema era conseguir um carro para transportá-los por um preço acessível ao projeto. E ontem nós conseguimos e pudemos organizar tudo para hoje mesmo.

Contactamos a oficial de campo da região e ela organizou as pessoas que receberiam a doação. Nossa distribuição é feita para a seleção de: Orfãos, Grávidas e crianças abaixo de cinco anos de idade. Estas são as prioridades.

Fomos ao Vilarejo Sachinga, 30 minutos de Katima Mulilo de carro, e quando chegamos por lá as pessoas já estavam sentadas em frente a escola de primeiro grau do Vilarejo aguardando o início da distribuição.

Organizamos os mosquiteiros e depois a lista de pessoas que receberiam. Priorizamos os mulheres grávidas, depois as crianças menores de cinco anos, por fim os orfãos e iniciamos o planejamento.

Fortune(comandante da tropa de oficiais) fez uma introdução sobre os mosquiteiros, sua utilidade e falou um pouco sobre Malária. Após isto, começamos a distribuição.


(Fortune - explicando sobre o uso do Moskito Net)

As pessoas estavam felizes em receber os mosquiteiros, mas infelizmente, na Namíbia é muito difícil você conquistar um boa reação ou pelo menos um obrigado. Às vezes é meio frustrante isto, mas ja me acostumei, porque é algo que realmente faz parte da cultura deles e já não crio expectativas. A verdade é que eu estava muito feliz pela ação, não por receber algo em troca e sim por realmente saber que eu estou colaborando e muito para a diminuição da Malária e proteção dessa gente. Principalmente das crianças que sofrem demais com a Malária.


(Algumas das Crianças que poderão dormir mais tranquilas)

Após algumas fotos e muitas assinaturas, registros e mosquiteiros, nós concluímos o nosso trabalho com satisfação! Foram mais ou menos quatro horas de distribuição e registros e tudo mais! Voltamos para o escritório e agora farei um relatório para apresentar a ação ao projeto.

Eu adoro boas ações! É uma das coisas que mais me motiva a encontrar maneiras de ajudar por aqui!

Bom pessoal, valeu mais uma vez pela atenção!

Paz e boas ações!

Abração.

Felipe Gomes

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Vida sem detalhes!


(Foto - Felipe - Namíbia - outubro 2009)

Cria, cria-se, muda, muda-se!

Idéias, planos
Papéis, processos
Criatividade, barreiras
Desafios, Malabarismo
Acertos, desarranjos
Pessoas, vontade
Fazer, ou não
Torcer, desejar
Trabalhar, correr
Fugir, arcar
Corresponder, alcançar
Andar, queimar
Suar, suar
Saber, surpreender
Contar, dizer
Interesse, carinho
Mundo, vila
Transformação, conhecimento
Apontamentos, “des”
Acreditar, sonhar
Concretizar, futuro
Pensamentos, viagens
Cálculos, minúcia
Paz, amor
Satisfação, próximo
Continuidade, alegria
Loucuras, vida!

Felipe Gomes

Processos!


(Clique na imagem para abrir)

Descrição do que mais vejo acontecer por aqui! rs

E não é só na África, processos são processos em todos os lugares!
Dê uma olhada em como os seus estão indo!

Abraços!

sábado, 7 de novembro de 2009

Apoie você também!



Esta campanha é de extrema importância e não há mais tempo para pensar, é hora de ação, tudo ou nada!

Se você se importa com o meio ambiente e com o futuro da nossa sociedade, Faça sua ação!

"Para nós, para a cidade, para o planeta e para o futuro".

Acesse o site e cadastre-se:
www.sacoeumsaco.com.br

Saiba mais:



Eu apoio!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um dia perfeito!


(no lombo do caminhão...hehehe)

Africa

Mantenho-me acordado!

Enquanto muitos ao meu redor tentam me fazer cair profundamente em um estado de contentamento surreal, eu me mantenho acordado! Vejo os erros e agora me movimento!

É hora de ação, meu período de análises já me cansa a alma e me sinto pronto para contra atacar, com a mais branca das armas, ou seja, soluções!

Meu movimento é discreto na África, mas pode ser potente. A discrição é essencial por aqui, algumas pessoas são despreparadas para mudanças e a cultura local às vezes cria barreiras que podem quebrar qualquer bom processo. Por isto, discrição e ação!

Os vilarejos que são cobertos pelo programa TCE ao qual faço parte, situam-se na região de Caprivi que poderíamos dizer que é um “estado” da Namíbia, o mais longínquo quando comparado aos outros. Caprivi é uma divisão muito grande e por isto em alguns momentos torna-se impossível visitar algumas vilas, pois às vezes são necessários três dias para que eu possa ir, trabalhar por um dia e voltar. Isto é muito complicado!

Porém, sempre procuro novos desafios, descobri que consigo acelerar o meu processo de desenvolvimento pessoal quando consigo obter o sucesso em grandes desafios. Por isto estou começando a analisar localidades onde as pessoas nunca vão visitar os oficiais que trabalham por lá, o que gera falta de controle, menos produtividade e desmotivação em alguns casos por parte dos oficiais de campo. Esta análise tem por objetivo, concluir a visita, trazendo de volta o controle sobre certas áreas e ajudando os oficiais a desenvolverem melhor seus campos.

Já venho pensando nisto há mais ou menos duas semanas quando assumi o desafio de chegar a um lugar que todos acreditam ser quase impossível de chegar pela manhã, pois não há transporte, porém, naquele dia acordei inspirado e decidi que simplesmente chegaria lá, e cheguei! Após três caronas na beira da estrada, tendo assim a oportunidade de ter um dia muito produtivo e inédito. A oficial de campo me recebeu expressando muita alegria por eu ter conseguido visitá-la e conseguimos trabalhar muito bem. Foi o bastante para eu decidir que não haveria barreiras em meus caminhos, vou onde tiver que ir e chegarei!

Na última semana assumi um desafio ainda maior, ir a um lugar aonde realmente ninguém nunca vai, mas aonde as 9:20 da manhã, após três caronas, eu realmente cheguei! Foi muito impressionante o quão longe era, mas o mais impressionante foram as pessoas especiais que me deram carona, a primeira pessoa foi o Bob, nascido no Zâmbia, tinha acabado de cruzar a fronteira e passava por Katima no caminho para Oshakati com seu Jeep luxuoso. Parou no posto de gasolina e simplesmente respondeu que claro que me ajudaria, após eu pedir a carona. Ele passaria próximo de uma saída que dava acesso a outra estrada e que significava um quarto do caminho para mim. No caminho, conversamos, contei a ele o que fazia e ele me contou que tocava em concertos que apóiam o controle do HIV, achei muito sensacional aquilo, o cara realmente era gente boa, e o mais engraçado, o inglês dele era muito americano, tanto que tive que perguntar a ele se ele era realmente do Zâmbia, ele respondeu que sim, interessante.

Bom, após o Bob me contar que na copa do mundo com certeza ele vestirá uma camiseta do Brasil como ele fez na última copa, ele me deixou no local da minha próxima carona e perguntei à ele se podia ajudá-lo com algum dinheiro, pois aqui não existe carona “ free”, ele apenas me respondeu que eu já faço demais pelo mundo e que ele estava agradecido. Foi realmente bom ouvir aquilo, meu dia realmente começou bem e a próxima carona não demorou a chegar, acredito porque eu realmente estava esperando um dia positivo.

A força do pensamento e o acreditar, realmente podem tornar tudo possível!

A minha próxima carona foi na traseira de uma pick-up que quando se engatava a segunda marcha quase parava, pois por algum problema de vela ou seja la o que era, engasgava muito e quase explodia... Rsrs. O motorista era um senhor muito humilde que levava ao seu lado um rapaz que parecia trabalhar com ele. Ele aceitou me deixar em seu caminho que seria metade do caminho para mim. Fizemos uma parada rápida em uma vila no caminho para que ele pegasse alguma ferramenta que precisava e minutos mais tarde deixou-me na junção com a próxima estrada e não aceitou o dinheiro que lhe ofereci pela carona, fez questão de recusar, o que me fez aumentar e muito a minha alegria, não porque salvei alguns trocados, mas porque apreciei muito a humildade daquele senhor e a boa vontade de ajudar que estava escrita em sua testa, foi muito bom!

Pude ver a pick-up indo embora, olhei para os lados, para frente e para trás e descobri que estava realmente no meio do nada, nada via. Mas nem me preocupei, achei uma sombra e uma pedra, sentei-me e esperei o próximo movimento de pneus sobre a areia que escurecia a vista ao ser jogada ao vento.

Logo vi um jeep de uma empresa de segurança vindo e não perdi tempo em acenar muito para que eles parassem. Disse que precisava ir para Muketela e o motorista me adiantou que poderia deixar-me la, mas que era muito longe e ele teria que cobrar algum dinheiro, não me importei, apenas chorei o valor e contei-lhe que era voluntário por isto pedia carona. Ele abaixou o valor que já era muito abaixo do que eu esperava pagar e lá fomos nós. No caminho o motorista demonstrou admiração pelo meu trabalho e se disse agradecido pela minha presença no país, pedindo para que eu ficasse mais tempo, pois ele realmente acredita que é importante o trabalho de pessoas de fora, foi um papo muito interessante e mais uma boa experiência!

Saltei do carro exatamente no destino que pretendia, foi perfeito. Escola de primeiro grau de Muketela, onde Simuel (oficial) me disse que seria o melhor lugar para nos encontrar.


(Simuel e eu)

Quando entrei na escola, logo vi todas as crianças do lado de fora e vi Simuel no meio delas. Percebi que seria realmente um dia interessante.

Simuel tinha preparado uma aula sobre HIV/AIDS para as crianças e eu cheguei exatamente na hora de começar a aula.

Noventa e quatro crianças sentadas embaixo das árvores, organizadas por tamanho e com os olhos enormes ao me verem. Me olhavam tanto, que por um momento pensei que atrapalharia a aula estando ali, pois a atenção das crianças estavam voltadas para mim de uma maneira fixa, quando os olhares dispersavam eu não podia cruzar a perna que todos olhavam de volta para mim. Foi uma situação muito prazerosa e ao mesmo tempo um pouco desconfortável, mas mesmo assim muito boa! Rsrs.

Simuel apresentou-se, me apresentou e fez a introdução do tema. Tudo na língua local, mas eu podia captar algumas palavras e gestos e ao mesmo tempo ele me traduzia algumas partes.

Ele deu a aula, todos participaram e pareceram interessados no tema, mesmo os mais novinhos. Ao final, Simuel me perguntou se faltava algo a falar, como ele deu a aula na língua local, apenas confirmei o que tinha entendido da aula e depois acrescentei algo sobre a transmissão do vírus via sangue. Fizemos a brincadeira "dança das cadeiras com as crianças" e todos se divertiram muito, mesmo sendo apenas uma simples brincadeira. O mais interessante é que o Simuel aprendeu a brincadeira em um treinamento que demos aos oficias e agora ele aplica isto no campo e de uma maneira muito eficaz, é bom ver o resultado de algo que você acredita.

Ao final de tudo na escola, tirei uma foto com todos os presentes e tive que organizar uma “big” fila para que as crianças pudessem uma por vez olhar a foto na câmera. Rsrs.



Após todo o trabalho, como eu estava distante, tinha que voltar um pouco mais cedo do que o normal para casa e fui para a beira da estrada. Simuel esteve lá comigo até que eu conseguisse a carona e conversamos muito, ele me disse que gostaria muito de me levar na sua casa para conhecer a sua família e me conceder um almoço, mas que sua casa era muito longe dali e eu não conseguiria voltar, me pediu desculpas pela falta de cordialidade. Eu apenas disse a ele que realmente não estava ali para isto e que ele não se preocupasse com comida, pois tinha uma bolacha na mochila... Rsrs.

Pude realmente ver a vontade dele em me receber. Conversamos mais um pouco e ele me disse algo que me surpreendeu, disse que ele já pode sentir que quando eu for embora, todos sentirão muito minha falta, pois eu sou diferente dos outros! Isto me deixou muito emocionado e comecei a pensar sobre a falta que esta África fará para mim também...

Um dia completo!

São oportunidades, situações e emoções como estas que me empurram para frente cada dia com mais força, possibilitando que eu acorde todos os dias cedo, tome um banho gelado cada dia mais refrescante, tome um copo de leite puro cada dia mais gostoso e deixe a minha casa a caminho de um mundo melhor!

Desejo a satisfação que sinto agora a todos vocês!

Abraços enormes.

Felipe Gomes.