sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

WORLD AIDS DAY!



O dia 1º de dezembro, "World Aids Day" é um dia especial, principalmente para nós, voluntários que colocamos todas as nossas forças lutando especificamente contra HIV/AIDS.

É uma grande oportunidade de mobilizar e conscientizar as pessoas, através de grandes movimentos, eventos e todos os possíveis meios capazes de levar a informação à massa, aproveitando também que neste dia o assunto é muito mais exposto e explorado!

Felizmente, neste ano foi organizado um grande evento em Katima Mulilo com apoio do governo e de todas as ONG’s que trabalham na região. E nós estávamos inclusos. A programação incluía uma grande passeata pelo centro da cidade em direção ao Mercado Público onde ocorreriam as palestras, apresentações musicais e teatrais entre outras, todas organizadas por pessoas da comunidade e ong’s.

Tudo pareceu muito bem organizado, foi realmente um trabalho de equipe, algumas coberturas de lona de uma organização, cadeiras que nós emprestamos, toda aparelhagem de som entre muitas outras coisas providas por outras instituições e com isto o evento estava pronto!

Fizemos a caminhada até o Mercado Público e tudo ocorreu muito bem, como sempre a animação foi enorme e o povo cantou e dançou confirmando o que a cultura africana realmente tem de especial!


(Com direito a banda do exército!)

Ao chegarmos ao local, tudo estava pronto para o início, o programa incluía primeiramente a reza que é sempre muito bonita, eles utilizam um canto no estilo gregoriano e que sempre me impressiona de tão afinado que é mesmo com todos cantando ao mesmo tempo! É realmente lindo.

Após a reza foi feita a introdução e boas vindas pelo coordenador geral de projetos contra HIV da região de Caprivi, seguido por algumas palavras do ministro da saúde que também compareceu.

Alguns grupos locais apresentaram muita música e muita dança, nos intervalos das apresentações houve alguns discursos completando o propósito do evento que era reunir muitas pessoas em um único local e espalhar muita informação, além da diversão. Acrescentando que os meus oficiais do TCE apresentaram um teatro sobre o nosso trabalho nas vilas que de fato foi muito bom, inclusive engraçado, as pessoas aprenderam e se divertiram com eles!


(Eu e sentado atrás da mesa de azul, o ministro da saúde)


(Ministro da Saúde de azul dançando)

Após toda a informação e discursos, as pessoas realmente demonstraram que estavam interessadas mesmo em se divertir, o que fez o evento ser mais longa do que o planejado devido à banda que estava tocando.

No meio de toda a preocupação com organização e o bom andamento do evento algo muito interessante aconteceu. Repórteres do mais conhecido canal de televisão nacional me chamaram e pediram para entrevistar-me. Eu aceitei, mas no meio da correria eu nem me toquei para qual canal era, ou se era TV mesmo ou não, eu apenas respondi algumas perguntas da maneira mais sincera possível e após isto até acreditei que eles não iriam veicular em lugar algum, pois eu realmente falei o que pensava sobre conscientização, mobilização e sobre a importância do World Aids Day para mim.

Na noite do mesmo dia, amigos de outra cidade me ligaram e mandaram mensagens no celular dizendo que eu estava na TV. Isto realmente foi muito engraçado, porque eles veicularam a minha mensagem no jornal nacional mais assistido aqui no país. Isto é algo muito grandioso para mim, porque como por um acidente, toda a mensagem que eu venho tentando trazer para poucas cabeças ao meu redor foi veiculada de uma só vez a todo país! Isto foi maravilhoso, ainda fico sem palavras para definir quando lembro...me sinto muito feliz por isto, foi realmente marcante. No dia seguinte, peguei um taxi e o motorista me falou: “Tudo bem? Eu te vi na TV ontem, foi muito bom!”... eu não sabia o que falar, apenas agradeci e confesso que me orgulhei muito do feito!

Referente ao evento, pessoas do ministério da saúde fizeram distribuição de comida e refrigerante para as pessoas que estavam apreciando a festa, fechamos o evento com a mesma banda que estava tocando antes, como eu estava responsável por recolher as cadeiras também, providenciei certa ajuda e rapidamente conseguimos juntá-las, após algum tempo uma pick-up nos deixou no escritório onde fechei o meu dia, que em minha opinião foi ótimo!

Feliz mais uma vez, finalizo mais um texto sobre a realidade que tenho vivenciado em Katima Mulilo!

Muito obrigado!

Felipe Gomes

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Strange Week!


(Felipão - Tarde de sabado)

Olá a todos!

Esta semana, como diz o título em inglês foi uma “Semana Estranha”.
Realmente não sei por que decidi intitular desta maneira, mas é como me sinto exatamente no momento em que escrevo.

Devido às eleições neste final de semana, a semana tornou-se improdutiva. Na segunda feira, como de praxe, nos reunimos no escritório para planejar a semana e tratarmos de assuntos pendentes. Na terça feira foi decidido que não iríamos fazer as visitas aos vilarejos, assim poderíamos finalizar o que estava pendente no escritório, planejar a quarta feira que seria o último dia da semana e “of course” economizar o rico dinheirinho da organização.

A quarta feira seria o último dia da semana devido às eleições na sexta e sábado. Como dizem eles, não trabalhar é um direito adquirido como Namibianos que são. Quem sou para contestar, não é.

Então na quarta feira, fizemos o encontro de todos os oficiais de campo que semanalmente ocorre as sextas feiras. O ritmo era de feriado, ninguém estava a fim de nada, e todos não viam a hora de ir embora e esquecer por quatro dias quem são, no que trabalham e suas rotinas. Foi o que senti! Uma desmotivação indescritível.

Aliás, motivação é uma palavra que eles não conhecem por aqui, tanto os líderes como os oficiais, ninguém se motiva e ninguém sabe motivar. Isto é um erro grave, pois a importância disto é enorme, por trás da motivação há uma série de palavras como, eficácia, desempenho, qualidade, resultados e etc. E é evidente o efeito que isto vem causando quando falamos de números.

Bom, a semana acabou na quarta feira, todos livres, leves e soltos para fazerem o que quiserem, ou seja, os bares da cidade estavam lotados, as garrafas de cerveja nas ruas triplicaram, a música estava duas vezes mais alta e a eleição, que tem sinônimo de festa para eles, estava chegando.

Havíamos decidido que mudaríamos de casa no domingo, pois o contrato da casa onde moro acabou e descobri isto a pouquíssimo tempo atrás, foi quando descobri também que não tínhamos outra casa ainda e que ninguém estava se preocupando muito com isto. Esta realmente era uma situação para se preocupar já que em Katima Mulilo achar uma casa razoável para morar é difícil.

Na quinta feira à noite, fui à casa de alguns voluntários que conheci na região para celebrar “Thanks Given”, ação de graças americana. Lá, pude conhecer em torno de 15 voluntários, maioria americanos, dois australianos, uma inglesa e um japonês. Isto foi muito interessante e provavelmente escreverei futuramente sobre meus novos amigos!

Sexta feira de manhã, resolvi que faria uma cobertura das eleições, visitando os lugares de votação, andando nas ruas. Meu objetivo era apreciar o comportamento das pessoas e a organização do País.

A situação estava muito tranqüila, quase não havia movimento para as eleições e nas ruas não pude ver nenhum conflito, nem mesmo campanhas. Ouvi de outras pessoas que algumas brigas aconteceram, mas nada demais. No caminho de volta para casa em torno de uma hora da tarde, recebi a ligação da responsável do projeto, dizendo-me para ir para casa, pois teríamos que mudar imediatamente por ordem do dono da casa, foi até engraçado pensar que eu tinha todas as minhas coisas para organizar ainda. A Eunjung já havia arrumado as malas delas, pois ela iria para Rundu visitar o Marcão, o Namibiano que vive em minha casa, organizou todas as malas e as coisas dele e foi visitar a família do outro lado do país, ou seja, eu estava sozinho naquele momento e talvez poderia contar com a ajuda do Toivo, namibiano que também mora na nossa casa, mas nunca esta la. E foi o que aconteceu, fiz a primeira viagem com o dono da pick-up que não estava nem um pouco afim de carregar nada e com uma pressa que estava me deixando irritado, mas tudo bem, fiz o possível e o impossível, quando voltamos para a segunda viagem, Toivo estava la para ajudar e conseguimos concluir 50% da mudança, quando o dono da pick-up nos disse que teria que ir embora e voltaria a noite para continuar. Não pudemos discutir e eu sabia que ele não voltaria, talvez no dia seguinte. O importante é que as minhas coisas e as da Eunjung estavam salvas, pois foram as primeiras.

Eu fico impressionado como o povo aqui tem o dom de desaparecer em um piscar de olhos, eles sempre têm uma desculpa para não trabalhar continuamente. Trabalho é algo que assusta aqui.

Para onde mudamos? Ficaremos momentaneamente na casa dos líderes do projeto, dividindo os espaços e quartos com eles, que realmente não estão nada felizes e por isto acredito que encontraram uma casa para nós o mais rápido possível, enquanto isto, fico tranqüilo por lá, assistindo Sky news, BBC entre outros canais na TV a cabo que eles possuem. Rsrs (na verdade eu não gosto de TV, mas...)

No sábado às sete horas da manhã o motorista da pick-up apareceu para fazer o resto da mudança, e descobri que não havia ninguém para ajudar. O problema é que todos desapareceram como sempre e ainda tínhamos que trazer geladeira, fogão e armários, os mais pesados da casa.

O chefe da Eunjung estava em casa e pedimos a ajuda dele, mas ele disse que não iria ajudar, pois tinha alguns compromissos e que realmente não queria ajudar, pois a responsabilidade era dos outros que simplesmente sumiram. No final de tudo conseguimos convencê-lo de fazer apenas uma viagem, carregando a geladeira e o fogão, já ajudou bastante. Após isto, o motorista disse que iria arranjar outras pessoas para ajudar e voltaria para continuarmos...

Hoje é domingo e as coisas ainda estão aguardando na casa! Hahahaha!

O bom é que tive uma noite de sábado muito show na casa de uma amiga, onde conheci um casal que estava de passagem por Katima, vindo direto da Coréia do Sul. Eles como americanos que são estavam há um ano dando aulas de inglês e agora estão voltando para casa com direito a escala em alguns países da África para matar a saudade, pois antes da Coréia, eles foram voluntários na África por 2 anos! Foi uma noite ótima!!!

Acredito que hoje, domingo, não farei nada fora de casa, pois esta chovendo hoje em Katima Mulilo, vou apenas aproveitar a ausência dos meus colegas de quarto e estudar, descansar, escrever, de tudo um pouco!

Vida em Katima Mulilo – capitulo 16...haha!

Valeu galera!

Um abraço a todos!

sábado, 21 de novembro de 2009

Pare, pense, escute, reflita!


(Felipe Gomes - Outubro/2009 - Namíbia, Africa)

Outro dia, andando pela rua encontrei um senhor abaixado no chão de areia e com o ouvido colado no chão!

Parei e perguntei-lhe: O senhor esta bem? Precisa de alguma ajuda?
E ele me disse: Sim, preciso da sua ajuda!

Perguntei-lhe qual era o problema e ele me respondeu: Abaixe-se aqui e você verá.
Me abaixei e ele me pediu que encostasse o ouvido no chão e perguntou: Ouves?
Exclamei: Não! Não consigo ouvir nada.
Preste atenção! E você verá.
Me concentrei e coloquei todas as forças de todos os meus sentidos para conseguir ouvir algo.
Quando ouvi uma batida contínua e fraca, lá no fundo, como se viesse de muito longe.
Sim! Eu ouço uma batida.
E como a sente?
Fraca e longínqua!
Vês, o coração da Terra já não é o mesmo, por isto preciso da tua ajuda!
Espantei-me com a exclamação enquanto continuava ouvindo a fraca batida.
Perguntei: Quem é o senhor?
Aguardei a resposta e quando me virei para perguntar novamente, me deparei com ninguém.

Vês, o coração da Terra já não é o mesmo, por isto preciso da tua ajuda!

O que estamos fazendo?

Preserve, haja com responsabilidade, cuide melhor do nosso Planeta e de nós mesmos!

Abraços!

Felipe Gomes.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Melhorando a qualidade de vida!


(Mosquiteiros neles!)

Hoje é mais um dia bom em minha "African Life"!

Acordei cedo, como todos os dias. Fui direto ao escritório para encontrar o responsável pelos oficiais de campo e irmos juntos a um vilarejo afastado distribuir Moskito nets (mosquiteiros) na região, combatendo assim a propagação da Malária!

Tinhamos no escritório 200 mosquiteiros para distribuição já há um bom tempo. O problema era conseguir um carro para transportá-los por um preço acessível ao projeto. E ontem nós conseguimos e pudemos organizar tudo para hoje mesmo.

Contactamos a oficial de campo da região e ela organizou as pessoas que receberiam a doação. Nossa distribuição é feita para a seleção de: Orfãos, Grávidas e crianças abaixo de cinco anos de idade. Estas são as prioridades.

Fomos ao Vilarejo Sachinga, 30 minutos de Katima Mulilo de carro, e quando chegamos por lá as pessoas já estavam sentadas em frente a escola de primeiro grau do Vilarejo aguardando o início da distribuição.

Organizamos os mosquiteiros e depois a lista de pessoas que receberiam. Priorizamos os mulheres grávidas, depois as crianças menores de cinco anos, por fim os orfãos e iniciamos o planejamento.

Fortune(comandante da tropa de oficiais) fez uma introdução sobre os mosquiteiros, sua utilidade e falou um pouco sobre Malária. Após isto, começamos a distribuição.


(Fortune - explicando sobre o uso do Moskito Net)

As pessoas estavam felizes em receber os mosquiteiros, mas infelizmente, na Namíbia é muito difícil você conquistar um boa reação ou pelo menos um obrigado. Às vezes é meio frustrante isto, mas ja me acostumei, porque é algo que realmente faz parte da cultura deles e já não crio expectativas. A verdade é que eu estava muito feliz pela ação, não por receber algo em troca e sim por realmente saber que eu estou colaborando e muito para a diminuição da Malária e proteção dessa gente. Principalmente das crianças que sofrem demais com a Malária.


(Algumas das Crianças que poderão dormir mais tranquilas)

Após algumas fotos e muitas assinaturas, registros e mosquiteiros, nós concluímos o nosso trabalho com satisfação! Foram mais ou menos quatro horas de distribuição e registros e tudo mais! Voltamos para o escritório e agora farei um relatório para apresentar a ação ao projeto.

Eu adoro boas ações! É uma das coisas que mais me motiva a encontrar maneiras de ajudar por aqui!

Bom pessoal, valeu mais uma vez pela atenção!

Paz e boas ações!

Abração.

Felipe Gomes

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Vida sem detalhes!


(Foto - Felipe - Namíbia - outubro 2009)

Cria, cria-se, muda, muda-se!

Idéias, planos
Papéis, processos
Criatividade, barreiras
Desafios, Malabarismo
Acertos, desarranjos
Pessoas, vontade
Fazer, ou não
Torcer, desejar
Trabalhar, correr
Fugir, arcar
Corresponder, alcançar
Andar, queimar
Suar, suar
Saber, surpreender
Contar, dizer
Interesse, carinho
Mundo, vila
Transformação, conhecimento
Apontamentos, “des”
Acreditar, sonhar
Concretizar, futuro
Pensamentos, viagens
Cálculos, minúcia
Paz, amor
Satisfação, próximo
Continuidade, alegria
Loucuras, vida!

Felipe Gomes

Processos!


(Clique na imagem para abrir)

Descrição do que mais vejo acontecer por aqui! rs

E não é só na África, processos são processos em todos os lugares!
Dê uma olhada em como os seus estão indo!

Abraços!

sábado, 7 de novembro de 2009

Apoie você também!



Esta campanha é de extrema importância e não há mais tempo para pensar, é hora de ação, tudo ou nada!

Se você se importa com o meio ambiente e com o futuro da nossa sociedade, Faça sua ação!

"Para nós, para a cidade, para o planeta e para o futuro".

Acesse o site e cadastre-se:
www.sacoeumsaco.com.br

Saiba mais:



Eu apoio!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um dia perfeito!


(no lombo do caminhão...hehehe)

Africa

Mantenho-me acordado!

Enquanto muitos ao meu redor tentam me fazer cair profundamente em um estado de contentamento surreal, eu me mantenho acordado! Vejo os erros e agora me movimento!

É hora de ação, meu período de análises já me cansa a alma e me sinto pronto para contra atacar, com a mais branca das armas, ou seja, soluções!

Meu movimento é discreto na África, mas pode ser potente. A discrição é essencial por aqui, algumas pessoas são despreparadas para mudanças e a cultura local às vezes cria barreiras que podem quebrar qualquer bom processo. Por isto, discrição e ação!

Os vilarejos que são cobertos pelo programa TCE ao qual faço parte, situam-se na região de Caprivi que poderíamos dizer que é um “estado” da Namíbia, o mais longínquo quando comparado aos outros. Caprivi é uma divisão muito grande e por isto em alguns momentos torna-se impossível visitar algumas vilas, pois às vezes são necessários três dias para que eu possa ir, trabalhar por um dia e voltar. Isto é muito complicado!

Porém, sempre procuro novos desafios, descobri que consigo acelerar o meu processo de desenvolvimento pessoal quando consigo obter o sucesso em grandes desafios. Por isto estou começando a analisar localidades onde as pessoas nunca vão visitar os oficiais que trabalham por lá, o que gera falta de controle, menos produtividade e desmotivação em alguns casos por parte dos oficiais de campo. Esta análise tem por objetivo, concluir a visita, trazendo de volta o controle sobre certas áreas e ajudando os oficiais a desenvolverem melhor seus campos.

Já venho pensando nisto há mais ou menos duas semanas quando assumi o desafio de chegar a um lugar que todos acreditam ser quase impossível de chegar pela manhã, pois não há transporte, porém, naquele dia acordei inspirado e decidi que simplesmente chegaria lá, e cheguei! Após três caronas na beira da estrada, tendo assim a oportunidade de ter um dia muito produtivo e inédito. A oficial de campo me recebeu expressando muita alegria por eu ter conseguido visitá-la e conseguimos trabalhar muito bem. Foi o bastante para eu decidir que não haveria barreiras em meus caminhos, vou onde tiver que ir e chegarei!

Na última semana assumi um desafio ainda maior, ir a um lugar aonde realmente ninguém nunca vai, mas aonde as 9:20 da manhã, após três caronas, eu realmente cheguei! Foi muito impressionante o quão longe era, mas o mais impressionante foram as pessoas especiais que me deram carona, a primeira pessoa foi o Bob, nascido no Zâmbia, tinha acabado de cruzar a fronteira e passava por Katima no caminho para Oshakati com seu Jeep luxuoso. Parou no posto de gasolina e simplesmente respondeu que claro que me ajudaria, após eu pedir a carona. Ele passaria próximo de uma saída que dava acesso a outra estrada e que significava um quarto do caminho para mim. No caminho, conversamos, contei a ele o que fazia e ele me contou que tocava em concertos que apóiam o controle do HIV, achei muito sensacional aquilo, o cara realmente era gente boa, e o mais engraçado, o inglês dele era muito americano, tanto que tive que perguntar a ele se ele era realmente do Zâmbia, ele respondeu que sim, interessante.

Bom, após o Bob me contar que na copa do mundo com certeza ele vestirá uma camiseta do Brasil como ele fez na última copa, ele me deixou no local da minha próxima carona e perguntei à ele se podia ajudá-lo com algum dinheiro, pois aqui não existe carona “ free”, ele apenas me respondeu que eu já faço demais pelo mundo e que ele estava agradecido. Foi realmente bom ouvir aquilo, meu dia realmente começou bem e a próxima carona não demorou a chegar, acredito porque eu realmente estava esperando um dia positivo.

A força do pensamento e o acreditar, realmente podem tornar tudo possível!

A minha próxima carona foi na traseira de uma pick-up que quando se engatava a segunda marcha quase parava, pois por algum problema de vela ou seja la o que era, engasgava muito e quase explodia... Rsrs. O motorista era um senhor muito humilde que levava ao seu lado um rapaz que parecia trabalhar com ele. Ele aceitou me deixar em seu caminho que seria metade do caminho para mim. Fizemos uma parada rápida em uma vila no caminho para que ele pegasse alguma ferramenta que precisava e minutos mais tarde deixou-me na junção com a próxima estrada e não aceitou o dinheiro que lhe ofereci pela carona, fez questão de recusar, o que me fez aumentar e muito a minha alegria, não porque salvei alguns trocados, mas porque apreciei muito a humildade daquele senhor e a boa vontade de ajudar que estava escrita em sua testa, foi muito bom!

Pude ver a pick-up indo embora, olhei para os lados, para frente e para trás e descobri que estava realmente no meio do nada, nada via. Mas nem me preocupei, achei uma sombra e uma pedra, sentei-me e esperei o próximo movimento de pneus sobre a areia que escurecia a vista ao ser jogada ao vento.

Logo vi um jeep de uma empresa de segurança vindo e não perdi tempo em acenar muito para que eles parassem. Disse que precisava ir para Muketela e o motorista me adiantou que poderia deixar-me la, mas que era muito longe e ele teria que cobrar algum dinheiro, não me importei, apenas chorei o valor e contei-lhe que era voluntário por isto pedia carona. Ele abaixou o valor que já era muito abaixo do que eu esperava pagar e lá fomos nós. No caminho o motorista demonstrou admiração pelo meu trabalho e se disse agradecido pela minha presença no país, pedindo para que eu ficasse mais tempo, pois ele realmente acredita que é importante o trabalho de pessoas de fora, foi um papo muito interessante e mais uma boa experiência!

Saltei do carro exatamente no destino que pretendia, foi perfeito. Escola de primeiro grau de Muketela, onde Simuel (oficial) me disse que seria o melhor lugar para nos encontrar.


(Simuel e eu)

Quando entrei na escola, logo vi todas as crianças do lado de fora e vi Simuel no meio delas. Percebi que seria realmente um dia interessante.

Simuel tinha preparado uma aula sobre HIV/AIDS para as crianças e eu cheguei exatamente na hora de começar a aula.

Noventa e quatro crianças sentadas embaixo das árvores, organizadas por tamanho e com os olhos enormes ao me verem. Me olhavam tanto, que por um momento pensei que atrapalharia a aula estando ali, pois a atenção das crianças estavam voltadas para mim de uma maneira fixa, quando os olhares dispersavam eu não podia cruzar a perna que todos olhavam de volta para mim. Foi uma situação muito prazerosa e ao mesmo tempo um pouco desconfortável, mas mesmo assim muito boa! Rsrs.

Simuel apresentou-se, me apresentou e fez a introdução do tema. Tudo na língua local, mas eu podia captar algumas palavras e gestos e ao mesmo tempo ele me traduzia algumas partes.

Ele deu a aula, todos participaram e pareceram interessados no tema, mesmo os mais novinhos. Ao final, Simuel me perguntou se faltava algo a falar, como ele deu a aula na língua local, apenas confirmei o que tinha entendido da aula e depois acrescentei algo sobre a transmissão do vírus via sangue. Fizemos a brincadeira "dança das cadeiras com as crianças" e todos se divertiram muito, mesmo sendo apenas uma simples brincadeira. O mais interessante é que o Simuel aprendeu a brincadeira em um treinamento que demos aos oficias e agora ele aplica isto no campo e de uma maneira muito eficaz, é bom ver o resultado de algo que você acredita.

Ao final de tudo na escola, tirei uma foto com todos os presentes e tive que organizar uma “big” fila para que as crianças pudessem uma por vez olhar a foto na câmera. Rsrs.



Após todo o trabalho, como eu estava distante, tinha que voltar um pouco mais cedo do que o normal para casa e fui para a beira da estrada. Simuel esteve lá comigo até que eu conseguisse a carona e conversamos muito, ele me disse que gostaria muito de me levar na sua casa para conhecer a sua família e me conceder um almoço, mas que sua casa era muito longe dali e eu não conseguiria voltar, me pediu desculpas pela falta de cordialidade. Eu apenas disse a ele que realmente não estava ali para isto e que ele não se preocupasse com comida, pois tinha uma bolacha na mochila... Rsrs.

Pude realmente ver a vontade dele em me receber. Conversamos mais um pouco e ele me disse algo que me surpreendeu, disse que ele já pode sentir que quando eu for embora, todos sentirão muito minha falta, pois eu sou diferente dos outros! Isto me deixou muito emocionado e comecei a pensar sobre a falta que esta África fará para mim também...

Um dia completo!

São oportunidades, situações e emoções como estas que me empurram para frente cada dia com mais força, possibilitando que eu acorde todos os dias cedo, tome um banho gelado cada dia mais refrescante, tome um copo de leite puro cada dia mais gostoso e deixe a minha casa a caminho de um mundo melhor!

Desejo a satisfação que sinto agora a todos vocês!

Abraços enormes.

Felipe Gomes.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Encontro de voluntários - Parte 2


(Os três mané! hehehe)

...

Na primeira noite em Oshakati, aproveitamos para trocar muitas idéias e conversar muito sobre diversas situações que ocorriam em cada canto do país, cada um jogando suas experiências e realidades na mesa para que os outros voluntários pudessem ter conhecimento também.

Após longos papos, algumas pizzas compradas pela Rachael (responsável pelo encontro) todos fomos dormir. Tínhamos três quartos, porém, devido ao calor, metade do pessoal dormiu pela sala! Mas foi muito bom, fresco!

Acordamos todos antes da 7:30 da manhã, pois como combinado a reunião começaria as 8 da manhã na própria casa.

Estava presente, além de nós, a Rachael coordenando, Alfred que é coordenador geral do projeto na Namíbia, Victória que esta assumindo a responsabilidade de cuidar de todos os interesses dos voluntários na Namíbia e Damiana que é Comandante de uma das divisões do país.

Todos os voluntários tinham recebido em suas divisões um questionário com perguntas sobre a situação do projeto, que deveriam ser respondidas e enviadas aos responsáveis para serem discutidas no meeting.

Como expliquei anteriormente, nós de Katima mal sabíamos sobre o encontro, muito menos recebemos o questionário em nossa divisão. Quando descobri, resolvi que responderia o questionário na hora, assim poderia falar melhor sobre o que tenho visto por aqui, melhor do que lendo algo pronto.

Iniciamos a discussão das respostas, as perguntas eram baseadas no cotidiano, acomodação, relação com líderes, desenvolvimento do projeto, ferramentas, perspectivas, problemas atuais, comentários e sugestões.

As respostas em geral foram muito detalhadas e explícitas, clareando muito bem a situação para voluntários de outras divisões e para os outros presentes. Pudemos conhecer um pouco mais da vida de cada voluntário e sobre o andamento do projeto em lugares diferentes. Criando assim novas perspectivas, trazendo soluções e novas possibilidades. Interessantíssimo!

Em minha vez, “abestalhei” a falar e não parava mais... Hahaha. Comecei explicando o porquê responderia as questões na hora e porque não tinha enviado as respostas anteriormente. Falei um pouco sobre minha divisão e expliquei minha atual função dentro do projeto. Depois falei um pouco sobre as minhas perspectivas e também decepções, deixei claro que quando vim para cá tinha uma noção diferente de desenvolvimento e que quando cheguei deparei com algo muito mais lento e que esta lentidão é por conta de algumas pessoas que acomodadas estão. É claro que eu não podia falar muito sobre problemas ainda, pois não tive tanto tempo para que pudesse realmente qualificar os principais problemas, mas é claro pude falar sobre o que tenho visto e ao mesmo tempo aproveitei para apresentar as soluções viáveis que eu já planejo.



Fiquei feliz, pois minhas soluções foram muito bem aceitas e ao mesmo tempo o fato de ter levado-as já me diferenciou de pessoas que apenas levaram problemas.

Aproveitei também para falar um pouco sobre como tenho andado motivado e fui questionado de como estes problemas não afetam minha motivação. Como de fato não afetam mesmo, pois estou muito motivado desde que cheguei aqui e como já disse anteriormente, fico feliz de ver problemas e novos desafios, pois isto para mim significa a oportunidade de criar novas soluções, pude explicar exatamente o que continua me empurrando sempre para frente e me trazendo força para mudanças!

Neste momento comecei a falar até demais...rsrs...porque realmente senti que as minhas palavras estavam acrescentando algo a todos ali e que eles realmente estavam muito dispostos à ouvir, por isto prossegui no assunto motivação e ao final todos estavam realmente atentos a tudo que eu disse, adorei, foi um ótimo momento e fiquei muito feliz quando Tim (Chinês) repetiu algumas das minhas palavras e disse a todos que elas deveriam ser consideradas uma lição, pois eu era um exemplo naquela sala.

Eu realmente fiquei muito satisfeito e muito mais motivado ao ouvir aquilo!

Enfim, em meu relatório expressei tudo que pude perceber até este momento, contei experiências, dei exemplos, falei dos meus desafios aqui, das minhas idéias e tudo que tive vontade. Foi ótimo.

Em continuidade ao encontro, muitas questões importantíssimas foram discutidas, sérios problemas foram trazidos à tona juntamente com o pedido de soluções. Questões como acomodação, cuidados com os voluntários, desde que chegamos no país até deixarmos, apoio da organização à idéias ou projetos paralelos ou pessoais, disponibilização de dinheiro suficiente para o perfeito andamento do projeto, administração de dinheiro nas divisões, confiabilidade de resultados entre outros importantes assuntos.

Foi muito especial, tudo foi discutido, alguns problemas solucionados na hora e algumas promessas de solucionar o resto o mais rápido possível, ganhamos uma nova pessoal, responsável apenas pelos nossos interesses no país e também foi criada uma linha de comunicação direta com os grandes líderes no país, onde pela primeira vez teremos a oportunidade de relatar mensalmente os problemas, as soluções e tudo sobre o andamento do projeto. Um bom exemplo de problema solucionado foi o caso da Eunjung (Koreana que faz parte do meu time da California) o projeto dela estava parado na divisão onde ela estava e havia a promessa de mudança de divisão, porém, ninguém sabia para aonde ela iria até aquele momento, havia algumas idéias, mas nada concreto. Quando ela contou a situação o Alfred fez uma ligação na mesma hora e foi decidido que ela viria morar na minha casa para desenvolver o projeto dela na minha divisão. Foi incrível ver como as coisas podem ser resolvidas rapidamente quando há interesse por parte dos responsáveis e foi uma noticia muito boa também, pois começaria a viver sozinho em Katima, pois os outros voluntários aqui de casa já deixaram o país, mas agora tenho a presença de uma pessoa já conhecida e que também ficou muito feliz de vir pra cá, aliás foi até engraçado como a Eunjung ficou feliz pela novidade, foi muito bacana!

Com todas estas surpresas e ocasiões , nós encerramos o que foi o primeiro encontro de todos os voluntários da Namíbia com a promessa do próximo em 3 meses, sujeito a alteração..rs.


(Todos os voluntários de carona..uhuuu!!!)

O plano era no mesmo dia partir para Mberela, uma hora de Oshakati, cidade onde estávamos, para fazer um Churras todos juntos antes da partida de volta, porém, primeiro demos uma passadinha no hospital para retirar o Marcão do conforto total que já durava quase 3 dias! Rsrs. Direto do hospital com todos na trazeira da pick up da Rachael partimos para Mberela para começar o 2º encontro de voluntários, mas em outro estilo! Hahaha. Foi tudo muito show!

Muito obrigado pela atenção!!!

Abraços!

Felipe Gomes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Encontro de voluntários da Namíbia!


(Voluntários Namibia 2009)

Encontro de voluntários da Namíbia.

Na sexta feira, 16 de outubro, eu e Lajos (Voluntário Húngaro que vive na minha casa) fomos a estação de ônibus de Katima, mais ou menos as 10 da manhã procurando por uma Van para Rundu, 500 km de Katima, onde dormiríamos para depois continuar a viagem até Oshakati que também fica no norte do país, mas no outro extremo.

Como não havia mais Vans naquele horário tivemos que ir ao posto de gasolina próximo da estrada para iniciarmos a pedir carona, o que as vezes é muito melhor do que ir de Van, pois é mais barato e geralmente é possível conseguir um carro confortável, como foi o caso. Conseguimos carona com uma pick-up muito boa, ar condicionado, conforto, som e tudo mais. Um fato engraçado é que o motorista apenas tinha um CD no carro e no CD tinham três músicas, então ligava o rádio tocava as três musicas e o desligava por 30 ou 60 minutos, acredito que para não enjoar... Rsrs.

A viagem foi muito tranqüila, tirando apenas um fato no meio do caminho, quando paramos em um mercado para comprar algo para comer e quando eu sai do mercado a pick up não estava mais lá, e todas as nossas coisas estavam dentro, exceto meus documentos e dinheiro que estavam comigo, mas as malas e todo o resto. Lajos me disse que o motorista falou que já voltava, tinha apenas que resolver algo próximo dali, mas demorou muito e realmente todos nós nos preocupamos, eu nem tanto, porque eram só roupas, mas o Lajos tinha tudo dentro do carro, laptop, carteira, dinheiro, documento e um outro rapaz também, mas felizmente o motorista voltou e tudo ficou ok, depois de uma comidinha rápida de rabo nele, pelo fato. Porque afinal era carona, mas estávamos pagando de qualquer jeito, pois aqui é assim.

Chegamos a Rundu pela noite, fomos para a casa do meu amigo Marco e Younghak e tivemos uma noite divertida, cheia de experiências para contar um ao outro.

Eu, Lajos, Marco e Younghak, partiríamos pela manhã seguinte em torno de 8 horas.

Fui o último a acordar, tomei um banho e fiquei pronto, mas tivemos que aguardar o Marcão ir até o escritório, pois na verdade ele não estava muito bem no dia anterior e decidiu ir conosco de última hora, por isto teve que buscar o dinheiro pela manhã.

Na estação de ônibus tivemos a oportunidade de conseguir um carro bom e só para nós, pois um senhor estava indo para Oshakati e todos fomos juntos no carro dele, foi perfeito, muito confortável e o Paulo (dono do carro) era muito gente boa.

Após algumas horas na estrada, o Marcão pediu ao Paulo para parar o carro, ao descer, começou a vomitar muito e nos contou que realmente não estava nada bem. Perguntei quais eram os sintomas, dor de cabeça, diarréia, dor muscular, febre e vomito, ou seja, Malária!

Na hora decidimos que pararíamos na próxima cidade para fazer o teste de malária e tomar as devidas precauções, começamos realmente a ficarmos muito preocupados. Foi nesta hora também que percebemos que o Paulo era realmente uma pessoa muito boa. Ele parecia mais preocupado que nós em alguns momentos e fez tudo que foi possível para nos ajudar sem reclamar de nada, pelo contrário, assumindo toda a responsabilidade da situação.

Chegamos à próxima cidade, Paulo nos levou na farmácia e em uma clinica para fazer o teste, mas era muito caro por ser particular e não fizemos, fomos ao hospital público e conseguimos um bom atendimento e o teste por quase nada, porém, o teste acusou negativo e não foi descoberto o que o Marco tinha. Pegamos alguns remédios de graça no hospital com a receita da médica e decidimos continuar a viagem com o Marcão medicado.

Em mais algumas horas chegamos a Oshakati. Agradecemos muito ao Paulo pelo cuidado e pela ótima viagem que fizemos.

No momento em que chegamos la, foi bacana, pois começamos a ver a oportunidade do reencontro de todos que estavam comigo na Califórnia e que vieram para a Namíbia, o meu time quase completo. Foi muito interessante!

Na estação de ônibus encontramos a Eunjung (do meu time na Califórnia) e uma Alemã chamada Vivien. Pegamos taxis e partimos para o escritório do projeto em Oshakati.

Lá encontramos o Kwangwon e o nosso time se reencontrou na Namíbia, com exceção da Bia que esta em Moçambique. Eu diria que foi muito especial!!!


(February Team)

Fora o meu time, foi o inicio de muitos encontros, éramos 12 voluntários em uma casa alugada pela organização para uma discussão que prometia muito. Uma oportunidade nunca concebida aqui na Namíbia. Senti-me muito bem por fazer parte disto.

...

Felipe Gomes

sábado, 24 de outubro de 2009

I'm Back!



Olá Pessoal!!!!

Quanto tempo hein?

Desculpem-me pela ausência, mas é que as novas experiências não me deixaram nem ao menos checar os meus e-mails nestes últimos cinco dias.

Nestes últimos dias, aproveitei muitas oportunidades e começarei a contá-las agora.

Neste meu primeiro mês na África estou em fase de análise e caça de problemas no projeto, pois não quero ser apenas mais uma pessoa que faz o que dizem que deve ser feito e depois e vai embora sem deixar marcas. Quero mudar o que deve ser mudado e solver os problemas que realmente podem tornar o projeto improdutivo.

Através desta análise pude comprovar que a falta de organização e controle por parte de líderes anda muito falha e andei pensando como organizar isto de uma maneira que os líderes voltem a ter o controle em mãos. Já tenho muitas idéias baseado no conhecimento que já tive em trabalhos anteriores. Gostaria muito que a implantação de novos sistemas de gerenciamento, na verdade os primeiros sistemas, dessem certo por aqui, porque isto é realmente importante para a eficácia do projeto.

Quanto à falta de organização, pude ter certeza absoluta que é realmente o grande problema, quando na quinta feira à noite descobri que teria que viajar para um local a dois dias de Katima na sexta de manhã para um encontro de voluntários no sábado. Mas o ponto chave é que todos os outros voluntários de outras divisões já estavam cientes disto há dias e eu já tinha questionado meus lideres por aqui a respeito e eles não sabiam de nada até quinta à noite. Como Katima é o lugar mais longínquo da Namíbia, ouvi dizer que as pessoas daqui preferem fingir que não sabem de nada nestes casos para economizar dinheiro de passagem com voluntários, o que é algo inaceitável.

Descobri o fato da viagem por telefone, acompanhado por uma promessa de visita em minha casa para acertarmos como funcionaria a viagem e a questão de dinheiro. Mas ninguém apareceu e a noite devido a falta de network nos celulares, fomos obrigados a caminhar até a casa dos líderes do projeto para questionar, um lugar que ninguém tinha ido antes. Quando chegamos por lá, após caminharmos por quase duas horas perdidos... rsrs...pudemos ver porque ninguém nunca convidou voluntários para ir la, a casa era realmente muito nova e com toda a infro- estrutura, foi muito engraçado quando eu e o Lajos chegamos por la e fizemos uma surpresinha no meio da noite... rsrs. Mas esta é a vida dentro da organização em Katima Mulilo. Rsrs.
Mas como reclamar é atraso de vida, apenas perguntamos o que tinha que ser perguntado e após descobrimos que Anna, minha Project Leader não sabia de nada também fomos embora rindo, porque chorar é para os fracos! Rsrs.

Resumindo, na quinta de manhã, acordei cedo, peguei minha mochilinha fui para o escritório resolver a parte da grana e de la ir viajar. Antes de viajar ainda uma nova surpresa veio à tona, avisaram o Lajos que ele teria que ir para o encontro também, mesmo ele deixando o país em poucos dias e tendo que arrumar todas as coisas dele por aqui, então, voltamos em casa, ele arrumou todas as coisas dele para partir definitivamente, pois não faria sentido ter que voltar para Katima. Ou seja, de repente, em uma hora, ele deixou tudo que viveu em Katima para trás e foi embora... foi estranho.

Mas tudo isto nada mais é do que a falta de organização explícita por aqui. Um grande problema!

E isto é muito bom, porque quando há problemas, há ao mesmo tempo a oportunidade de criar novas soluções! E eu gosto muito de encarar as coisas desta maneira!
Melhorias já! Este tem sido meu lema por aqui. Afinal é uma das mais importantes funções que eu tenho. Ajudar a melhorar.

Encontro de todos os voluntários da Namíbia... Próximo capítulo...

Abraço a todos!!!

Felipe Gomes.

domingo, 11 de outubro de 2009

Às vezes


(Candido Portinari - 1995)

Às vezes olho ao meu redor e vejo que o que vivo é alucinante e desconfigurado.

Às vezes fecho os olhos e sinto que vôo por lugares nunca antes visitados, mas que já posso chamar de lar.

Às vezes corro de braços abertos contra o vento e deixo que a brisa maximize minha interna humanidade.

Às vezes penso que sou alguém bom e ao mesmo tempo sempre me dou conta que sou melhor que ninguém.

Às vezes faço simplesmente o que tenho que fazer e não racionalizo meus medos, me torno forte e corajoso por isto.

Às vezes tomo decisões necessárias, outras apressadas e outras avoadas, quando realmente sinto.

Às vezes olho nos olhos fundos e negros de uma criança, outras vezes não consigo e apenas sorrio.

Às vezes minto para mim mesmo, brincando de não sofrer, mas aprendi que dos nossos sentimentos não há fuga.

Às vezes vou às praias da Califórnia, tomo um café no Brasil e um banho gelado na África, depois sento e me questiono, qual foi o melhor? Não sei, são todos tão especiais!

Às vezes dou rasantes em minha vida apenas para ver como vai o todo.

Às vezes vou a fundo ao que realmente quero, mas acabei me esquecendo do que não quero.

Às vezes quero, outras não.

Às vezes aprendo, outras ensino.

Às vezes amo, mas nunca odeio!

Às vezes rio e depois, quando paro, recomeço novamente.

Às vezes canto, mas descobri na África o que é o realmente cantar.

Às vezes ando na areia de chinelos, outras vezes de tênis, mas sempre na areia, onde me sinto a vontade.

Às vezes paro, e por instantes penso no que tenho que fazer, e faço.

Às vezes faço, penso no que tinha que ser feito e paro.

Às vezes quero respostas, mas me contento com um sorriso.

Às vezes faço o correto e na outras vezes erro o menos que posso.

Às vezes tento dar sentido a minha vida e saber o que realmente estou fazendo.

E sempre tenho uma única resposta para tudo
Da melhor maneira que posso, estou vivendo!
Às vezes respondo vivendo, depende do lugar digo “living”.

Felipe Gomes.

sábado, 10 de outubro de 2009

Embriaguez



"É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão.
Para não sentirdes o horrível fardo do tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem perdão.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.
E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira."

Charles Baudelaire

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pé de Cana! rs


(Meu pé de cana)

Olá meus amigos!

Mais uma vez faço-me presente por meio de palavras, neste livro aberto que intitulo minha vida!

Nesta semana estive andando e andando e andando por ai...às vezes vôo também, mas esta é a parte poética da minha vida e que ficará para mais tarde...rs.

Visitei diversos bairros de Katima Mulilo, juntamente com os oficiais de campo, aconselhando famílias, incluindo novos participantes ao nosso programa e espalhando a informação que é o ponto principal das nossas caminhadas.

As últimas visitas me renderam boas discussões, novidades, reflexões e principalmente permitiram-me conhecer melhor o perfil destas pessoas que ao meu redor vivem.

Me ajudaram, inclusive, a conquistar novos desafios por aqui. Posso exemplificar um deles. Parte da minha função aqui é o incentivo ao uso de preservativos, então, sempre ensinamos como usar e informamos o porque é importante. Mas descobri que as pessoas agora não estão mais querendo usar preservativos, porque alguém descobriu que se você colocá-los dentro de um copo de água quente e deixar no sol durante o dia, você poderá ver claramente as bactérias que se soltam do preservativo, ou seja, a camisinha pode infectar você, concluíram eles. É incrível como alguém tem tempo suficiente para ficar fazendo este tipo de experiência e esta mesma pessoa consegue espalhar uma informação como esta sobre as bactérias que nada mais é do que o lubrificante que se solta da camisinha na água.

Pois é, este é um dos exemplos, mas é muito interessante este tipo de pensamento, porque me proporciona boas discussões e a oportunidade de testar os meus conhecimentos cada vez mais.

Estive pensando em muitas coisas que eu posso fazer para o desenvolvimento da comunidade e uma delas que tinha discutido com meu amigo Marco, é a plantação de cana de açúcar.

A cana pode crescer em qualquer tipo de solo, rapidamente e de maneira fácil. A questão era: eu não tinha encontrado pé de cana aqui em Katima para que eu pudesse comprar um pedaço para iniciar a plantar, porém, em uma visita esta semana a uma família, vi uma das mulheres da casa chupando cana no meio da visita. Ao terminarmos o assunto com eles, não pude me conter e perguntei a ela, onde ela tinha conseguido a cana, ela me arrastou ao quintal e me mostrou um pé novinho de Cana de açúcar, fiquei realizado, pois finalmente encontrei!

Perguntei a ela se eu poderia conseguir um pedaço para plantar, a dona da casa veio e arrancou uma cana inteira e me deu, sem cobrar nada, fiquei feliz demais. Prometi a ela que quando a cana crescer eu levarei uma Cana bem grande de presente a elas para retribuir a boa ação. Elas ficaram alegres em ver minha alegria, foi muito bom!
Quando sai de la, não via a hora de chegar em casa e plantar o meu pezinho de Cana!!!
Foi a primeira coisa que fiz. Assim que cheguei corri para dentro de casa peguei a pá e fui ao jardim cavar.

Agora tenho uma nova ocupação diária. Regar a Cana e cuidar para que cresça o mais rápido possível, pois já estou fazendo alguns bons planos para a comunidade com isto.
Estou sonhando com o dia que verei pessoas da comunidade vendendo rapadura feita das canas dos seus próprios quintais. Algo totalmente novo, imagine que legal! Acredito que não será difícil.

Bom, por enquanto continuo andando por aí, fazendo o que deve ser feito, enquanto controlo a ansiedade de ver o primeiro pezinho surgindo no meu jardim. Rsrs.
Só espero que eu não seja o culpado por campos de Bóia Frias nos próximos anos por aqui...rsrs.

Bom é isto pessoal, mais uma vez obrigado!

Felipe Gomes.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pessoas especiais (special people)




Andei pensando como é impressionante o número de pessoas especiais que passam pelas nossas vidas. E o número de pessoas que nada acrescentam as nossas vidas também.
Nesta semana tivemos a visita de uma voluntária Húngara que desenvolve o projeto na região de Oshakati já há cinco meses. Ela passou a semana inteira conosco, em um período que chamamos de investigação. A idéia dela foi conhecer a nossa região, estudar como o projeto esta sendo desenvolvido por aqui e ao mesmo tempo pesquisar sobre outras organizações e suas ações na região.


(Katya indo embora de carona)

Seu nome é Katya e tivemos a oportunidade logo nos primeiros dias de trocar muitas informações e discutir diversas idéias que venho pensando ao decorrer dos dias. Ela pareceu mais empolgada que eu quanto às idéias e me disse que nesta semana aqui gostaria de andar comigo pela comunidade para que começar a dar forma as minhas idéias, pois seria um grande prazer a ela me ajudar a manter esta motivação e esta vontade de fazer as coisas que neste momento realmente expresso. Digo “neste momento”, mas pretendo ter forças para correr atrás do que for necessário para ajudar, até o meu último dia na África. E farei o possível.

A Katya realmente foi importante no decorrer da semana e no domingo quando ela partiu de volta a divisão dela percebi quanta motivação pude captar com a sua presença. Fico feliz porque foi especial.

Refletindo sobre esta experiência, comecei a perceber que algumas pessoas passam pelas nossas vidas e sem importar o tempo que elas permaneçam presentes, sempre deixam algo de importante para ser levado a frente e utilizado.
Às vezes uma ação, uma conversa, uma palavra ou mesmo um gesto, podem nos trazer um novo conhecimento ou uma nova percepção sobre as coisas.

Há minutos atrás, eu estava lendo o livro, “O Caçador de Pipas”, e refletindo sobre a história deste livro que é uma lição de vida e que em cada página você pode identificar ações e comportamentos que sendo bons ou dos piores, sempre haverá uma lição para tirar e algo novo para refletir e em alguns casos mudar em seu próprio comportamento, se você ainda não leu este livro, não perca a oportunidade quando possível. Eu tive o privilégio de ganha-lo assim que deixei o Brasil iniciando esta minha nova vida, de uma pessoa que foi e sempre será muito especial na minha vida, minha amiga Rady. Ela, que me demonstrou o verdadeiro significado de muitas palavras e que mesmo depois da minha partida, agora lendo este livro que não tive a oportunidade antes, vejo que ela continua me ensinando.

Tenho muitos outros exemplos que carrego comigo, acabei de ler um outro livro bárbaro também que se chama “O vendedor de passados” de José Eduardo Agualusa, que realmente me trouxe muitas reflexões e flutuantes palavras que pesam no peito quando sugadas de nobres páginas beges de papel.

Este livro eu ganhei de meu amigo Régis que mesmo com tantos e tantos imprevistos na vida e coisas para se preocupar, conseguiu me presentear no Brasil, três dias antes de eu vir para a África. Acrescentando em minha vida novas palavras e pensamentos, porque não sentidos!

Andando pela rua em uma tarde ensolarada e seca de Katima Mulilo, um senhor de bicicleta me parou e pediu um minuto para conversar, dei-lhe atenção com certeza e ele começou a se desculpar, pois gostaria muito de ter participado do nosso evento de bicicletas em prol dos órfãos, mas, porém, na hora em que todos partiram com suas bicicletas a dele infelizmente quebrou. Eu realmente me lembrei dele no evento, pronto para fazer parte da mobilização. Mesmo com a sua simples bicicleta, carregando consigo um olhar cansado e demonstrando nos olhos negros toda falta de recursos para viver de uma maneira suficientemente necessária, ele estava lá e feliz por isto.

Naquela tarde ouvi desculpas de um homem que tudo que quis em uma noite de sábado, foi pedalar por órfãos de uma cidade vizinha e naquele momento se sentia culpado por ter uma bicicleta simples que não suportou a necessidade do momento. Posso dizer que foi, lindo, triste, comovente, realístico e principalmente proveitoso aquele momento, até agora não esqueço o rosto deste senhor e as lições que tirei daqueles dois minutos que conversei com ele.

Ganhei outra pessoa especial na minha vida também nos últimos dias que estive caminhando pelos vilarejos, não sei seu nome, sua idade, dele nada sei, mas em um breve momento vi uma ação desta pequena pessoa que também me fez refletir sobre muitas coisas e principalmente sobre qual é o verdadeiro sentimento que um ser humano deve ter pelo outro.

Um menino que eu diria ter no máximo quatro anos, pegando no colo uma bebe que diria ter um ou dois anos, realmente não tenho muita idéia da idade. Este menino viu a pequena irmã começar a chorar, não sei se de fome, cede, ou dores e sem pensar duas vezes correu ao lado dela e a pegou no colo, balançando-a como se fosse o pai da criança e acalmando-a com a técnica de uma mãe profissional. O detalhe mais impressionante é o tamanho destas crianças, eles eram quase do mesmo tamanho e mesmo assim o garotinho se sentiu na obrigação de acalmá-la no colo. Isto realmente foi um capítulo do livro lições da vida que eu decorei. Lindo demais!


(menino com a irmã no colo)

Bom pessoal! Acredito que todos nós temos pessoas especiais em nossas vidas, seja por um segundo ou pela vida inteira, pessoas que podem em um único gesto mudar conceitos, e na maioria dos casos naturalmente, estejam atentos ao seu lado pode haver algo ou alguém para lhe ensinar pequenas coisas que valerão ouro na sua dignidade.

Espero sinceramente fazer parte desta lista na vida de alguns! Rsrs
Muito obrigado mais uma vez a todos!

Um grande abraço from África!

Felipe Gomes.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

African Life!



Hello everyone!

São 6:40pm de terça feira, dia 29 de setembro.

Estou neste exato momento, sentado em minha cama com apenas a luz do notebook no quarto, pois não há eletricidade em casa desde que começou a chover a 30 minutos atrás.

Há algum tempo não chovia e hoje desabou o mundo aqui em Katima Mulilo, com direito a granizo e muito vento, a casa parece que vai cair em nossas cabeças de tanto barulho que faz.

Resolvi relatar como que ao vivo para poder expressar o que exatamente estou sentindo agora.

A palavra principal eu diria que é “espanto”. E espantoso o quanto esta chovendo, e se pensarmos, quase em pleno deserto, antes de começar o derramamento de água tivemos um tempestade de areia fortíssima também, pois o vento esta a mil por aqui!!!

Estou um triste neste momento, porque o que me passa pela cabeça são as pessoas que possivelmente perderão suas casas por aqui, pois algumas casas são feitas de barro por aqui e não suportam chuvas tão fortes. É bem triste, mas tomara que suportem a chuva de hoje.

Mesmo com esta chuva fortíssima, o que posso sentir é que o calor só aumenta e aqui dentro de casa esta impossível, realmente não é fácil de agüentar o calor daqui, tem que pastar muito!!! Rsrs

A melhor parte da história é que assim que cheguei em casa ao fim da tarde, percebi que iria chover, tomei um banho gelado rápido e depois corri pra cozinha esquentar o rango, mesmo sem fome, pois o nosso fogão é elétrico e já sabia que se chovesse não haveria luz! Comi numa boa e poucos minutos depois a luz realmente acabou... mas eu nem me preocupei, pois já estava bem alimentado...rsrs!!!

É realmente uma experiência muito interessante estar aqui e ter que me prevenir a qualquer tipo de imprevisto, pois assim é África, tudo pode acontecer, e eu adoro isto!

Bom, vou ficando por aqui para economizar bateria, foi muito agradável compartilhar este momento com vocês!!!

Um grande abraço e até quando a eletricidade permitir!!! Rsrs

Felipe Gomes.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bike Day!


Olá pessoal!!!!

Cá estou novamente para preencher os espaços vazios nesta página que da vida fala!

Hoje, estou Feliz, como tenho estado desde que cheguei aqui na África.
Neste último sábado participei de um evento muito gratificante em Katima Mulilo.O nome do evento era Bike Day.O objetivo era mobilizar a comunidade em prol dos órfãos da cidade de Bukalol, que fica a 35 km de Katima e tem o maior índice de órfãos da região.

A idéia foi criada pela Bea, húngara que trabalha no projeto comigo e esta aqui há 5 meses no projeto Child Aid que tem como objetivo trabalhar com crianças e suas famílias. Foi ela também quem mobilizou a comunidade e organizou todo o evento, conseguindo doação para tudo que fosse necessário e lutando contra todo tipo de barreira que surgisse no caminho, eu realmente fiquei orgulhoso de poder ver isto de perto, porque o que ela fez não foi nada fácil e tinha tudo pra dar errado, mas foi um sucesso absoluto. Me sinto muito bem de fazer parte disto, principalmente por poder ver um exemplo como esta de tão perto.

A atividade do evento era fazer com que o máximo de pessoas da comunidade, pedalassem em suas bicicletas os 35km até uma pré-escola em Bukalol para que ao chegar lá participassem do evento para as crianças.Ao mesmo tempo, outra equipe ficaria em Katima em frente ao supermercado, fazendo fundraising (arrecadação) para os projetos de hortas e suporte aos órfãos.

Depois de muita luta, de irmos as ruas caçar pessoas com bicicletas para participarem do projeto, de muita mobilização, às 8 horas da manhã estávamos no ponto de inicio da pedalada, e as pessoas já estavam por lá aguardando o inicio. Quando tudo parecia perfeito, um carro da policia nos informou que ninguém poderia pedalar para lugar nenhum sem os devidos equipamentos, ou no mínimo capacetes para todos. Uma merda. De onde o povo que mal bicicleta tem e quando tem se matam pra poder mantê-las pra poder se locomover com mais facilidade pela cidade, iria tirar capacetes de ciclistas, na hora foi absurdo.

A Bea se desesperou e viu a casa inteira cair sobre a sua cabeça, deu até dó, sentou na guia e sem saber o que fazer começou a chorar. Eu disse pra ela que não desistisse, as coisas dariam certo, pois depois de tudo que ela fez pra que aquele evento funcionasse, ele tinha que funcionar de qualquer jeito.

Em poucos minutos, como um anjo um cara da região chegou de carro, abriu a porta da pick-up e tirou várias caixas de capacetes novíssimos, distribuindo a todos e nos surpreendendo.Ele é um amigo da Bea aqui da região e demonstrou que realmente se importa com a comunidade, pois ele pagou em torno de 140 dólares namibianos em cada capacete, gastou provavelmente mais de 1000 dólares namibianos, o que significa muita grana aqui pra eles. Foi uma ação muito nobre!
Com isto, o evento pode prosseguir perfeitamente, com direito a escolta da policia e tudo.



(minha equipe de field officers no fundraising)

Eu fiquei em katima pela manhã, com a responsabilidade de organizar a equipe que faria a arrecadação, pois afinal, eles eram os officers que trabalham no meu projeto e que foram mobilizados para ajudar neste dia. A arrecadação foi um sucesso, conseguimos mais do que 500 dólares namibianos em meio período de trabalho, foi fantástico.

Este dinheiro servirá para iniciar o projeto de hortas que proverá comida para as crianças órfãs de Bukalol. Fiquei muito contente com o resultado. E com a atitude das pessoas que pude ver. Tanto os que doaram dinheiro, quanto aos que doaram tempo, esforço e amor.

As pessoas chegaram muito bem de bicicleta em Bukalol e o evento lá foi um sucesso também, as crianças fizeram uma linda apresentação de dança a todos, elas comeram bem com a comida fornecida pelo projeto e todos ficaram muito contentes com tudo.
Ao final eu apenas tinha uma frase para a Bea: “You got!” (você conseguiu!).


(crianças preparadas para uma apresentação de dança tipica)

Feliz pelas boas ações do mundo, aqui me vou, deixando espaço para a reflexão!!!

Muito obrigado pela atenção!

Um forte abraço a todos!

Felipe Gomes.




Lar sweet Lar!

(Frente da minha casa)

Ola meus queridos!

Eu gostaria de começar este novo relato agradecendo a todos que tem acompanhado os meus “escrivinhamentos” no blog, tenho recebido comentários de amigos e familiares e isto é muito positivo. Muito obrigado pela força!


Desde que cheguei aqui em Katima Mulilo, há 1 semana atrás, tenho vivido muitas coisas novas e me adaptado a uma vida totalmente diferente de tudo que já vivi, conhecido novos lugares e novas pessoas. E é claro, isto inclui, viver em novos lugares e com novas pessoas.

A casa que moro aqui em Katima é uma casa de porte médio, não é bonita, mas é aconchegante e segura, situa-se em um bairro até que organizado que fica há uns 20 minutos de caminhada do centro da cidade, onde tudo acontece.

A casa tem 3 dormitórios, um banheiro, sala e cozinha. Um quintal bom, com espaço inclusive para plantar algo, cavar um poço, que é algo que já estudei.

Temos eletricidade, às vezes não, assim como água, às vezes não temos também, e quando temos é gelada.


Moro com 3 pessoas, um Namibiano responsável pelo meu projeto, um cara e uma mulher ambos húngaros, divido um quarto com o Húngaro, no outro quarto fica a Bea e no outro o Protazius da Namíbia.

(Minha cama com mosquiteiro)

Temos muitos amigos dentro de casa, Baratas e mosquitos são os principais e que estão sempre presentes.

A presença dos mosquitos é o que incomoda mais, pois onde moro há um certo índice de malária, isto não é muito bom!

Ainda não conheço meus vizinhos, trocamos apenas “Bom dia”, e coisas do tipo, tenho falado mais com as crianças que aqui nos chamam de “Macua” (homem branco) e adoram perguntar se estamos bem e ficar dando Tchau para nós até que suma de vista, eu adoro isto, é interessante ver a atitude delas. As crianças às vezes perdem o caminho de tanto que olham para nós quando passamos, elas vão acompanhando todos os nossos movimentos, com os olhos fixos, elas são muito queridas.
As pessoas ao redor também parecem ser queridas, apenas não pude contacta-los ainda, aqui eles são um tanto que desconfiados do brancos.

Um coisa engraçada que descobri andando por aqui e coversando com as pessoas, é que sou o único brasileiro em toda a região. Isto é muito interessante!
Pude perceber também que eles gostam de brasileiros e tem uma certa vontade de aprender português, até por influência dos angolanos na região. Um senhor, ficou muito surpreso quando descobriu que eu era brasileiro, gritou para mim: "Nós temos um brasileiro na cidade e como eu nunca soube!!!"...rsrs...depois que contei a ele que estou aqui há apenas uma semana. Mas é engraçado este tipo de situação do dia a dia, vou aprendendo mais e mais com estas oportunidades.

Bom, esta é a minha vida caseira na África, logo escreverei com mais detalhes sobre isto, vamos andando!!!

Abraços a todos!!!

domingo, 27 de setembro de 2009

O escrevedor!

(Beethoven - "escrevedor" de belas partituras)

Lendo meus próprios escritos
Me emociono, às vezes choro
Lembro exatamente do que se foi
Sonho exatamente o que vivi naquele momento

Palavras, Deuses para mim
É assim que vivo a minha vida
E é assim que admiro os mais profundos sentimentos
Escrevendo...

Escrevo quando choro
Choro quando escrevo
Leio após o desabafo
Aprendo sobre mim mesmo

Da ponta da caneta as teclas do computador
O que emitem são puros sentimentos
Fecho os olhos e vejo o texto
Quando abro os olhos já transcrevi

Tenho aprendido
Acreditava que minhas palavras
Eram jogadas ao vento
Mas ao ler novamente

Pude compreender
Nada mais são
Do que a minha Alma
Em pura expressão!

Felipe Gomes

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Projeto


Namíbia – Africa

Olá meus amigos!!!

Aqui estou novamente para contar-vos minhas sagas por esta terra de areia branca chamada Namíbia.

Segunda feira dia 21 de setembro eu iniciei a minha participação no projeto.Na verdade seria mais um dia para que eu descansasse da minha longa viagem, mas acordei cedo e estava muito bem, então decidi acompanhar os outros dois voluntários que moram comigo até o escritório já para ver o que estava rolando por lá.

Coloquei o meu chinelinho com a Bandeira do Brasil, enchi uma mochila do que eu precisava e “Pé na areia!”. Após uns 20 minutos ou mais de caminhada na areia fofa chegamos ao escritório. Pude acessar a internet, ter contato com as pessoas que coordenam o projeto e entrar mais no clima.

Logo de cara, participei de uma reunião do conselho do projeto que ocorre toda segunda feira para decidir o que será feito na semana, discutir novas idéias, ver status dos projetos e organizar tudo, então, toda segunda feira eu estarei lá para esta reunião. Provavelmente será o dia em que com certeza eu atualizarei o blog, pois é quando terei acesso à internet.
A reunião foi boa, pude me interar mais sobre o que esta acontecendo neste momento e inclusive como quem cai de pára-quedas, ou quem pega o bonde andando, ou como quem... Ah... Todas estas expressões que conhecemos bem, eu já cheguei dando palpite e conseqüentemente ganhando mais responsabilidades. O problema era que os oficiais de campo (pessoas que vão as casas para conversar com as pessoas e levar as informações de casa em casa) que trabalham conosco, estão um pouco sem tarefas aos sábados, quando eles comparecem ao escritório. Não sabiam o que fazer quanto a isto. Deram a idéia de colocá-los para limpar o galpão do escritório, o que eu achei um absurdo, pois os caras são a nossa linha de frente e temos que cuidar de quem nos representa diretamente, limpar o galpão, em minha opinião, não será o maior dos incentivos a eles, neste momento eu disse que devíamos investir na educação deles, aproveitando o tempo livre para educá-los melhor, trazer conteúdos interessantes e ensinar.

Na hora nada foi decidido.

Mas depois da reunião, o meu coordenador apenas chegou a mim e disse que eu teria que fazer um plano quanto as aulas para os oficiais de campo, ou seja, eu dei a idéia eu que faça acontecer.


Por um lado é bom porque eu realmente desejo que aconteça e farei o possível pra isto.

Minha função aqui é a seguinte, eu sou um instrutor de desenvolvimento e tenho que acompanhar de perto tudo que esta sendo feito no projeto cuidando para que tudo seja feito corretamente e para que o projeto continue funcionando de maneira eficaz.Trazendo soluções para os problemas atuais, conhecimento para quem trabalha em campo e leva a informação as pessoas, acompanhando o trabalho destes, também indo pra campo para que eu possa verificar se alguma informação incorreta esta sendo passada, se a maneira com que eles estão atuando esta correta e principalmente para ver se eles realmente estão trabalhando.

Além disto, trazer novos projetos, conseguir patrocínios, desenvolver eventos e divulgar o programa também faz parte das minhas funções na organização.

Ainda não pude sentir muito o projeto, pois o começo esta um pouco lento o dinheiro atrasou para chegar esta semana e então ficamos um pouco amarrados. Pois para as visitas em campo, muitas vezes temos que pegar taxi para chegar ao destino, pois não há como caminhar até certas vilas. Digo taxi, pois não há meio de transporte por aqui, apenas carros destruídos (porque não há carro que sobreviva nestas estradas) que cobram um preço único para te levar para algum lugar dentro de uma divisão, muitas vezes no meio do caminho outras pessoas entram, mesmo indo para o lado inverso elas vão indo junto e o preço é fixo e por pessoa. Então por esta falta de dinheiro não pudemos andar muito por ai ainda, mas com certeza ainda andarei e muuuiiiiito. Mas não me importo. É o que quero.

Na reunião, descobri que há uma fábrica de Moskito net (mosquiteiros) que nos doa certa quantidade para que nós possamos distribuir para comunidade, contribuindo na prevenção da malária, gostei disto, o problema neste momento é apenas de transporte para a distribuição, mas isto sendo pensado já.Neste exato momento, eu quero ir para campo com os oficiais para começar a conhecer muito bem a comunidade e poder ver quais são os problemas principais. A partir deste conhecimento vou poder ver quais dos projetos que já tenho em mente são aplicáveis. E ai levar à organização, para a discussão da viabilidade destes, e ao mesmo tempo conseguir patrocinadores para isto. Tenho bons projetos na manga, tenho discutido muito com meu amigo Marco (quando possível pela internet) que está em Rundu, onde dormi uma noite antes de vir para cá, alguns bons projetos e como fazê-los, confesso que as idéias estão realmente surgindo e os desafios ganhando forma, isto cada vez me torna mais forte e me deixa totalmente impaciente para que as coisas comecem a acontecer logo.

Um dos projetos que vejo aqui tem a necessidade de cavar e estou tão empolgado que até uma pá eu já achei no mesmo dia que decidi tocar esta idéia. Logo todos saberão do que se trata e verão algumas inovações que estou planejando para algumas coisas, torçam por mim para que eu possa trazer estas minhas idéias à tona e ajudar estas pessoas com algo que de fato possa mudar suas vidas. É o que mais quero neste momento.


Vamos em frente, que....atrás não tem ninguém não rapá...rsrsrs!

É isto galera, logo explicarei mais sobre o projeto e minhas vivências “in Africa”.

Valeu, um grande abraço!


Felipe Gomes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Going to Katima Mulilo



( o "Onibus" que me trouxe muitas surpresas no caminho)

Going to Katima Mulilo

Às 7 horas da manhã do dia 18 de setembro de 2009, eu levantei, tomei um banho, comi uma fatia de pão com geléia e um copo de leite e fui para a estrada com toda a minha bagagem pegar um táxi para o posto de gasolina (estação de ônibus).

Cheguei ao posto eram 8 e pouco da manhã e descobrimos uma Van que iria partir para Katima. Paguei 190 dólares namibianos (20 dólares e pouco), peguei o banco ao lado do motorista e esperei...esperei... e esperei. Pois aqui uma Van só parte para a viagem quando estiver lotada, não há horário.

Fomos partir, eram 11 e pouco da manhã...
A Van chinesa estava caindo os pedaços, dava pra ver de cara, mas realmente não dá pra escolher muito, até porque as outras geralmente não são diferentes também.Bom, partimos e eu já estava com uma sensação um pouco ruim quanto à viagem, mas tentei não me preocupar.

Após 200 kilometros de viagem o motor da Van ferveu e tivemos que parar. A parada foi em uma área nada desenvolvida, onde havia tribos e vilarejos, achei interessante pra poder chegar mais perto destas pessoas e apreciar melhor o modo de vida deles. O motorista da Van foi pedir água nos vilarejos para colocar no carro, deu uma dorzinha no peito, pois as pessoas não se recusaram em momento algum, mas eu as via passando a caminho de algum rio ou poço que não parecia ser perto, com seus containeres na mão e nós lá usando a água pro motor do carro. Foi bem ruim.

( na estrada com o onibus quebrado)

Bom, o motor ferveu, mas não fundiu mesmo em altíssima temperatura. Abrimos o motor que era embaixo dos nossos bancos na frente. Eu disse ao motorista que provavelmente estava vazando água e a ventoinha não estava funcionando também, mas ele não me ouvia e foi até engraçado apreciar a cena dos 3 Africanos em volta do motor, olhando, olhando e um falava pro outro: “É algo muito fácil de resolver, o problema que não sabemos o que é...”, eu estava me divertindo, os caras não manjavam nada de carro e ficaram discutindo coisas óbvias. Eu já sabia que nós não chegaríamos nem a próxima cidade que era há 15 kilometros dali, porque o motor ainda pegava, mas já estava arregaçado. O cara botou água no motor, disse à ele que ele tinha que ligar o motor para botar água, pois senão travaria o bloco, ele ligou, mas quando eles viram que quando água batia lá dentro fervia e era cuspida para fora novamente, decidiram que isto acontecia porque o carro estava ligado e desligaram...rsrs...eu estava só de canto, cada decisão desta eu guardava na memória para escrever depois...hahaha. Eu estava me divertindo.

O problema mesmo eu já sabia qual era, mas o motorista não se conformava com o motor quente daquele jeito e ficava o tempo todo dizendo: “What’s wrong man? What’s wrong man?” ( o que há de errado) e apavorado. Até que conseguimos andar mais alguns 5 kilometros com o carro e aí o motor fundiu de vez. Paramos e eles insistiam que era só colocar água, que o problema era que não estava cheio de água até a boca...até que um senhor do último banco, trouxe uma idéia inovadora, foi interessante, não funcional, mas interessante. Para ele o problema era radiador sujo, então tinha que fazer o carro funcionar com coca cola ao invés de água. Que limparia tudo...rsrs. Eu só ria de longe e comecei a perceber que se ninguém nos buscasse ali, dormiríamos por ali mesmo.

E era o que parecia que viria a acontecer. Pois ligavam para o dono da Van e ele dizia que estava vindo, mas nunca dizia quanto tempo e nem quando.

Aproveitei para dar uma volta pelas vilas pra ver mais de perto as casas e as pessoas, tirar algumas fotos, porém, fotos mesmo não consegui muitas. Pois percebia que as pessoas estavam com receio de mim e muito, se eu sacasse a câmera ali na frente delas do nada, era capaz deles se sentirem ameaçados.As crianças passavam e não conseguiam parar de me olhar, carregavam água e quase perdiam o caminho de tanto que fixavam os olhos em mim, foi uma experiência interessante.
(rolezinho na vila!)
Enfim, estávamos ali parados ainda, sem expectativas alguma quanto à ajuda. Com o passar das horas, as pessoas foram ficando irritadas e começando a cobrar do motorista soluções que realmente ele não poderia trazer. Mas é engraçado, mesmo nestas horas eles são muito sossegados, sempre sai uma piadinha e as pessoas não conseguem ficar sem rir. Isto é bom. Ajudou bastante.

O medo surgiu nas pessoas também, é engraçado que eu estava sossegado, curtindo tudo, aproveitando para conhecer mais sobre as pessoas e suas ações. E eles começaram a se preocupar com a possibilidade de dormir por ali mesmo, começaram a falar do cair da noite, de leões, de elefantes que destroem carros e de malária, mesmo assim eu ainda estava tranqüilo, mas esperando que se fosse pra dormir ali, que pelo menos rende-se a foto de um belo leão...rsrs.

Bom, quando a noite caiu, todos fomos para dentro da Van e nos trancamos por lá, o cheiro realmente não era bom, aliás, estava ruim demais. Mesmo assim dormir por um tempinho, eu acordei quando uma outra Van chegou para nos socorrer 7 horas depois de tudo começar e nela estava o dono da “bela” frota.
Fomos puxados até a próxima cidade e seguimos viagem com a outra Van, que não era chinesa. Ufa! Mas bem velha também.
Eu estava faminto e com muita cede, mas não havia nada aberto no caminho.

No caminho passamos em uma área que soube que os elefantes atravessam a estrada o tempo todo e que os leões dormem no meio da estrada. Realmente havia muita sinalização quanto aos elefantes e no final das contas acabei vendo um, mas como era à noite, não pude reparar muito, mas foi muito show ter esta oportunidade, depois disto pude dormir mais ou menos. Acordava de tempos em tempos e vi algo que era triste, muitas queimadas, devido ao calor que faz aqui. A noite era clareada pelo fogo na beira da estrada que invadia as florestas. Era bem triste mesmo, havia muitos focos no caminho.

Seguimos viagem até que às 3 horas da manhã, cheguei a Katima Mulilo, liguei para o Protázio meu Project Leader aqui e ele me buscou a pé com outro voluntário da casa, andamos pacas e minhas malas estavam muito pesadas, foi um momento bem ruim mesmo. Mas finalmente em casa!

Cheguei, comi, não tinha água, então dormi, sem tomar banho mesmo, estava quebrado.

Felipe Gomes