sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Encontro de voluntários - Parte 2


(Os três mané! hehehe)

...

Na primeira noite em Oshakati, aproveitamos para trocar muitas idéias e conversar muito sobre diversas situações que ocorriam em cada canto do país, cada um jogando suas experiências e realidades na mesa para que os outros voluntários pudessem ter conhecimento também.

Após longos papos, algumas pizzas compradas pela Rachael (responsável pelo encontro) todos fomos dormir. Tínhamos três quartos, porém, devido ao calor, metade do pessoal dormiu pela sala! Mas foi muito bom, fresco!

Acordamos todos antes da 7:30 da manhã, pois como combinado a reunião começaria as 8 da manhã na própria casa.

Estava presente, além de nós, a Rachael coordenando, Alfred que é coordenador geral do projeto na Namíbia, Victória que esta assumindo a responsabilidade de cuidar de todos os interesses dos voluntários na Namíbia e Damiana que é Comandante de uma das divisões do país.

Todos os voluntários tinham recebido em suas divisões um questionário com perguntas sobre a situação do projeto, que deveriam ser respondidas e enviadas aos responsáveis para serem discutidas no meeting.

Como expliquei anteriormente, nós de Katima mal sabíamos sobre o encontro, muito menos recebemos o questionário em nossa divisão. Quando descobri, resolvi que responderia o questionário na hora, assim poderia falar melhor sobre o que tenho visto por aqui, melhor do que lendo algo pronto.

Iniciamos a discussão das respostas, as perguntas eram baseadas no cotidiano, acomodação, relação com líderes, desenvolvimento do projeto, ferramentas, perspectivas, problemas atuais, comentários e sugestões.

As respostas em geral foram muito detalhadas e explícitas, clareando muito bem a situação para voluntários de outras divisões e para os outros presentes. Pudemos conhecer um pouco mais da vida de cada voluntário e sobre o andamento do projeto em lugares diferentes. Criando assim novas perspectivas, trazendo soluções e novas possibilidades. Interessantíssimo!

Em minha vez, “abestalhei” a falar e não parava mais... Hahaha. Comecei explicando o porquê responderia as questões na hora e porque não tinha enviado as respostas anteriormente. Falei um pouco sobre minha divisão e expliquei minha atual função dentro do projeto. Depois falei um pouco sobre as minhas perspectivas e também decepções, deixei claro que quando vim para cá tinha uma noção diferente de desenvolvimento e que quando cheguei deparei com algo muito mais lento e que esta lentidão é por conta de algumas pessoas que acomodadas estão. É claro que eu não podia falar muito sobre problemas ainda, pois não tive tanto tempo para que pudesse realmente qualificar os principais problemas, mas é claro pude falar sobre o que tenho visto e ao mesmo tempo aproveitei para apresentar as soluções viáveis que eu já planejo.



Fiquei feliz, pois minhas soluções foram muito bem aceitas e ao mesmo tempo o fato de ter levado-as já me diferenciou de pessoas que apenas levaram problemas.

Aproveitei também para falar um pouco sobre como tenho andado motivado e fui questionado de como estes problemas não afetam minha motivação. Como de fato não afetam mesmo, pois estou muito motivado desde que cheguei aqui e como já disse anteriormente, fico feliz de ver problemas e novos desafios, pois isto para mim significa a oportunidade de criar novas soluções, pude explicar exatamente o que continua me empurrando sempre para frente e me trazendo força para mudanças!

Neste momento comecei a falar até demais...rsrs...porque realmente senti que as minhas palavras estavam acrescentando algo a todos ali e que eles realmente estavam muito dispostos à ouvir, por isto prossegui no assunto motivação e ao final todos estavam realmente atentos a tudo que eu disse, adorei, foi um ótimo momento e fiquei muito feliz quando Tim (Chinês) repetiu algumas das minhas palavras e disse a todos que elas deveriam ser consideradas uma lição, pois eu era um exemplo naquela sala.

Eu realmente fiquei muito satisfeito e muito mais motivado ao ouvir aquilo!

Enfim, em meu relatório expressei tudo que pude perceber até este momento, contei experiências, dei exemplos, falei dos meus desafios aqui, das minhas idéias e tudo que tive vontade. Foi ótimo.

Em continuidade ao encontro, muitas questões importantíssimas foram discutidas, sérios problemas foram trazidos à tona juntamente com o pedido de soluções. Questões como acomodação, cuidados com os voluntários, desde que chegamos no país até deixarmos, apoio da organização à idéias ou projetos paralelos ou pessoais, disponibilização de dinheiro suficiente para o perfeito andamento do projeto, administração de dinheiro nas divisões, confiabilidade de resultados entre outros importantes assuntos.

Foi muito especial, tudo foi discutido, alguns problemas solucionados na hora e algumas promessas de solucionar o resto o mais rápido possível, ganhamos uma nova pessoal, responsável apenas pelos nossos interesses no país e também foi criada uma linha de comunicação direta com os grandes líderes no país, onde pela primeira vez teremos a oportunidade de relatar mensalmente os problemas, as soluções e tudo sobre o andamento do projeto. Um bom exemplo de problema solucionado foi o caso da Eunjung (Koreana que faz parte do meu time da California) o projeto dela estava parado na divisão onde ela estava e havia a promessa de mudança de divisão, porém, ninguém sabia para aonde ela iria até aquele momento, havia algumas idéias, mas nada concreto. Quando ela contou a situação o Alfred fez uma ligação na mesma hora e foi decidido que ela viria morar na minha casa para desenvolver o projeto dela na minha divisão. Foi incrível ver como as coisas podem ser resolvidas rapidamente quando há interesse por parte dos responsáveis e foi uma noticia muito boa também, pois começaria a viver sozinho em Katima, pois os outros voluntários aqui de casa já deixaram o país, mas agora tenho a presença de uma pessoa já conhecida e que também ficou muito feliz de vir pra cá, aliás foi até engraçado como a Eunjung ficou feliz pela novidade, foi muito bacana!

Com todas estas surpresas e ocasiões , nós encerramos o que foi o primeiro encontro de todos os voluntários da Namíbia com a promessa do próximo em 3 meses, sujeito a alteração..rs.


(Todos os voluntários de carona..uhuuu!!!)

O plano era no mesmo dia partir para Mberela, uma hora de Oshakati, cidade onde estávamos, para fazer um Churras todos juntos antes da partida de volta, porém, primeiro demos uma passadinha no hospital para retirar o Marcão do conforto total que já durava quase 3 dias! Rsrs. Direto do hospital com todos na trazeira da pick up da Rachael partimos para Mberela para começar o 2º encontro de voluntários, mas em outro estilo! Hahaha. Foi tudo muito show!

Muito obrigado pela atenção!!!

Abraços!

Felipe Gomes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Encontro de voluntários da Namíbia!


(Voluntários Namibia 2009)

Encontro de voluntários da Namíbia.

Na sexta feira, 16 de outubro, eu e Lajos (Voluntário Húngaro que vive na minha casa) fomos a estação de ônibus de Katima, mais ou menos as 10 da manhã procurando por uma Van para Rundu, 500 km de Katima, onde dormiríamos para depois continuar a viagem até Oshakati que também fica no norte do país, mas no outro extremo.

Como não havia mais Vans naquele horário tivemos que ir ao posto de gasolina próximo da estrada para iniciarmos a pedir carona, o que as vezes é muito melhor do que ir de Van, pois é mais barato e geralmente é possível conseguir um carro confortável, como foi o caso. Conseguimos carona com uma pick-up muito boa, ar condicionado, conforto, som e tudo mais. Um fato engraçado é que o motorista apenas tinha um CD no carro e no CD tinham três músicas, então ligava o rádio tocava as três musicas e o desligava por 30 ou 60 minutos, acredito que para não enjoar... Rsrs.

A viagem foi muito tranqüila, tirando apenas um fato no meio do caminho, quando paramos em um mercado para comprar algo para comer e quando eu sai do mercado a pick up não estava mais lá, e todas as nossas coisas estavam dentro, exceto meus documentos e dinheiro que estavam comigo, mas as malas e todo o resto. Lajos me disse que o motorista falou que já voltava, tinha apenas que resolver algo próximo dali, mas demorou muito e realmente todos nós nos preocupamos, eu nem tanto, porque eram só roupas, mas o Lajos tinha tudo dentro do carro, laptop, carteira, dinheiro, documento e um outro rapaz também, mas felizmente o motorista voltou e tudo ficou ok, depois de uma comidinha rápida de rabo nele, pelo fato. Porque afinal era carona, mas estávamos pagando de qualquer jeito, pois aqui é assim.

Chegamos a Rundu pela noite, fomos para a casa do meu amigo Marco e Younghak e tivemos uma noite divertida, cheia de experiências para contar um ao outro.

Eu, Lajos, Marco e Younghak, partiríamos pela manhã seguinte em torno de 8 horas.

Fui o último a acordar, tomei um banho e fiquei pronto, mas tivemos que aguardar o Marcão ir até o escritório, pois na verdade ele não estava muito bem no dia anterior e decidiu ir conosco de última hora, por isto teve que buscar o dinheiro pela manhã.

Na estação de ônibus tivemos a oportunidade de conseguir um carro bom e só para nós, pois um senhor estava indo para Oshakati e todos fomos juntos no carro dele, foi perfeito, muito confortável e o Paulo (dono do carro) era muito gente boa.

Após algumas horas na estrada, o Marcão pediu ao Paulo para parar o carro, ao descer, começou a vomitar muito e nos contou que realmente não estava nada bem. Perguntei quais eram os sintomas, dor de cabeça, diarréia, dor muscular, febre e vomito, ou seja, Malária!

Na hora decidimos que pararíamos na próxima cidade para fazer o teste de malária e tomar as devidas precauções, começamos realmente a ficarmos muito preocupados. Foi nesta hora também que percebemos que o Paulo era realmente uma pessoa muito boa. Ele parecia mais preocupado que nós em alguns momentos e fez tudo que foi possível para nos ajudar sem reclamar de nada, pelo contrário, assumindo toda a responsabilidade da situação.

Chegamos à próxima cidade, Paulo nos levou na farmácia e em uma clinica para fazer o teste, mas era muito caro por ser particular e não fizemos, fomos ao hospital público e conseguimos um bom atendimento e o teste por quase nada, porém, o teste acusou negativo e não foi descoberto o que o Marco tinha. Pegamos alguns remédios de graça no hospital com a receita da médica e decidimos continuar a viagem com o Marcão medicado.

Em mais algumas horas chegamos a Oshakati. Agradecemos muito ao Paulo pelo cuidado e pela ótima viagem que fizemos.

No momento em que chegamos la, foi bacana, pois começamos a ver a oportunidade do reencontro de todos que estavam comigo na Califórnia e que vieram para a Namíbia, o meu time quase completo. Foi muito interessante!

Na estação de ônibus encontramos a Eunjung (do meu time na Califórnia) e uma Alemã chamada Vivien. Pegamos taxis e partimos para o escritório do projeto em Oshakati.

Lá encontramos o Kwangwon e o nosso time se reencontrou na Namíbia, com exceção da Bia que esta em Moçambique. Eu diria que foi muito especial!!!


(February Team)

Fora o meu time, foi o inicio de muitos encontros, éramos 12 voluntários em uma casa alugada pela organização para uma discussão que prometia muito. Uma oportunidade nunca concebida aqui na Namíbia. Senti-me muito bem por fazer parte disto.

...

Felipe Gomes

sábado, 24 de outubro de 2009

I'm Back!



Olá Pessoal!!!!

Quanto tempo hein?

Desculpem-me pela ausência, mas é que as novas experiências não me deixaram nem ao menos checar os meus e-mails nestes últimos cinco dias.

Nestes últimos dias, aproveitei muitas oportunidades e começarei a contá-las agora.

Neste meu primeiro mês na África estou em fase de análise e caça de problemas no projeto, pois não quero ser apenas mais uma pessoa que faz o que dizem que deve ser feito e depois e vai embora sem deixar marcas. Quero mudar o que deve ser mudado e solver os problemas que realmente podem tornar o projeto improdutivo.

Através desta análise pude comprovar que a falta de organização e controle por parte de líderes anda muito falha e andei pensando como organizar isto de uma maneira que os líderes voltem a ter o controle em mãos. Já tenho muitas idéias baseado no conhecimento que já tive em trabalhos anteriores. Gostaria muito que a implantação de novos sistemas de gerenciamento, na verdade os primeiros sistemas, dessem certo por aqui, porque isto é realmente importante para a eficácia do projeto.

Quanto à falta de organização, pude ter certeza absoluta que é realmente o grande problema, quando na quinta feira à noite descobri que teria que viajar para um local a dois dias de Katima na sexta de manhã para um encontro de voluntários no sábado. Mas o ponto chave é que todos os outros voluntários de outras divisões já estavam cientes disto há dias e eu já tinha questionado meus lideres por aqui a respeito e eles não sabiam de nada até quinta à noite. Como Katima é o lugar mais longínquo da Namíbia, ouvi dizer que as pessoas daqui preferem fingir que não sabem de nada nestes casos para economizar dinheiro de passagem com voluntários, o que é algo inaceitável.

Descobri o fato da viagem por telefone, acompanhado por uma promessa de visita em minha casa para acertarmos como funcionaria a viagem e a questão de dinheiro. Mas ninguém apareceu e a noite devido a falta de network nos celulares, fomos obrigados a caminhar até a casa dos líderes do projeto para questionar, um lugar que ninguém tinha ido antes. Quando chegamos por lá, após caminharmos por quase duas horas perdidos... rsrs...pudemos ver porque ninguém nunca convidou voluntários para ir la, a casa era realmente muito nova e com toda a infro- estrutura, foi muito engraçado quando eu e o Lajos chegamos por la e fizemos uma surpresinha no meio da noite... rsrs. Mas esta é a vida dentro da organização em Katima Mulilo. Rsrs.
Mas como reclamar é atraso de vida, apenas perguntamos o que tinha que ser perguntado e após descobrimos que Anna, minha Project Leader não sabia de nada também fomos embora rindo, porque chorar é para os fracos! Rsrs.

Resumindo, na quinta de manhã, acordei cedo, peguei minha mochilinha fui para o escritório resolver a parte da grana e de la ir viajar. Antes de viajar ainda uma nova surpresa veio à tona, avisaram o Lajos que ele teria que ir para o encontro também, mesmo ele deixando o país em poucos dias e tendo que arrumar todas as coisas dele por aqui, então, voltamos em casa, ele arrumou todas as coisas dele para partir definitivamente, pois não faria sentido ter que voltar para Katima. Ou seja, de repente, em uma hora, ele deixou tudo que viveu em Katima para trás e foi embora... foi estranho.

Mas tudo isto nada mais é do que a falta de organização explícita por aqui. Um grande problema!

E isto é muito bom, porque quando há problemas, há ao mesmo tempo a oportunidade de criar novas soluções! E eu gosto muito de encarar as coisas desta maneira!
Melhorias já! Este tem sido meu lema por aqui. Afinal é uma das mais importantes funções que eu tenho. Ajudar a melhorar.

Encontro de todos os voluntários da Namíbia... Próximo capítulo...

Abraço a todos!!!

Felipe Gomes.

domingo, 11 de outubro de 2009

Às vezes


(Candido Portinari - 1995)

Às vezes olho ao meu redor e vejo que o que vivo é alucinante e desconfigurado.

Às vezes fecho os olhos e sinto que vôo por lugares nunca antes visitados, mas que já posso chamar de lar.

Às vezes corro de braços abertos contra o vento e deixo que a brisa maximize minha interna humanidade.

Às vezes penso que sou alguém bom e ao mesmo tempo sempre me dou conta que sou melhor que ninguém.

Às vezes faço simplesmente o que tenho que fazer e não racionalizo meus medos, me torno forte e corajoso por isto.

Às vezes tomo decisões necessárias, outras apressadas e outras avoadas, quando realmente sinto.

Às vezes olho nos olhos fundos e negros de uma criança, outras vezes não consigo e apenas sorrio.

Às vezes minto para mim mesmo, brincando de não sofrer, mas aprendi que dos nossos sentimentos não há fuga.

Às vezes vou às praias da Califórnia, tomo um café no Brasil e um banho gelado na África, depois sento e me questiono, qual foi o melhor? Não sei, são todos tão especiais!

Às vezes dou rasantes em minha vida apenas para ver como vai o todo.

Às vezes vou a fundo ao que realmente quero, mas acabei me esquecendo do que não quero.

Às vezes quero, outras não.

Às vezes aprendo, outras ensino.

Às vezes amo, mas nunca odeio!

Às vezes rio e depois, quando paro, recomeço novamente.

Às vezes canto, mas descobri na África o que é o realmente cantar.

Às vezes ando na areia de chinelos, outras vezes de tênis, mas sempre na areia, onde me sinto a vontade.

Às vezes paro, e por instantes penso no que tenho que fazer, e faço.

Às vezes faço, penso no que tinha que ser feito e paro.

Às vezes quero respostas, mas me contento com um sorriso.

Às vezes faço o correto e na outras vezes erro o menos que posso.

Às vezes tento dar sentido a minha vida e saber o que realmente estou fazendo.

E sempre tenho uma única resposta para tudo
Da melhor maneira que posso, estou vivendo!
Às vezes respondo vivendo, depende do lugar digo “living”.

Felipe Gomes.

sábado, 10 de outubro de 2009

Embriaguez



"É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão.
Para não sentirdes o horrível fardo do tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem perdão.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.
E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira."

Charles Baudelaire

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pé de Cana! rs


(Meu pé de cana)

Olá meus amigos!

Mais uma vez faço-me presente por meio de palavras, neste livro aberto que intitulo minha vida!

Nesta semana estive andando e andando e andando por ai...às vezes vôo também, mas esta é a parte poética da minha vida e que ficará para mais tarde...rs.

Visitei diversos bairros de Katima Mulilo, juntamente com os oficiais de campo, aconselhando famílias, incluindo novos participantes ao nosso programa e espalhando a informação que é o ponto principal das nossas caminhadas.

As últimas visitas me renderam boas discussões, novidades, reflexões e principalmente permitiram-me conhecer melhor o perfil destas pessoas que ao meu redor vivem.

Me ajudaram, inclusive, a conquistar novos desafios por aqui. Posso exemplificar um deles. Parte da minha função aqui é o incentivo ao uso de preservativos, então, sempre ensinamos como usar e informamos o porque é importante. Mas descobri que as pessoas agora não estão mais querendo usar preservativos, porque alguém descobriu que se você colocá-los dentro de um copo de água quente e deixar no sol durante o dia, você poderá ver claramente as bactérias que se soltam do preservativo, ou seja, a camisinha pode infectar você, concluíram eles. É incrível como alguém tem tempo suficiente para ficar fazendo este tipo de experiência e esta mesma pessoa consegue espalhar uma informação como esta sobre as bactérias que nada mais é do que o lubrificante que se solta da camisinha na água.

Pois é, este é um dos exemplos, mas é muito interessante este tipo de pensamento, porque me proporciona boas discussões e a oportunidade de testar os meus conhecimentos cada vez mais.

Estive pensando em muitas coisas que eu posso fazer para o desenvolvimento da comunidade e uma delas que tinha discutido com meu amigo Marco, é a plantação de cana de açúcar.

A cana pode crescer em qualquer tipo de solo, rapidamente e de maneira fácil. A questão era: eu não tinha encontrado pé de cana aqui em Katima para que eu pudesse comprar um pedaço para iniciar a plantar, porém, em uma visita esta semana a uma família, vi uma das mulheres da casa chupando cana no meio da visita. Ao terminarmos o assunto com eles, não pude me conter e perguntei a ela, onde ela tinha conseguido a cana, ela me arrastou ao quintal e me mostrou um pé novinho de Cana de açúcar, fiquei realizado, pois finalmente encontrei!

Perguntei a ela se eu poderia conseguir um pedaço para plantar, a dona da casa veio e arrancou uma cana inteira e me deu, sem cobrar nada, fiquei feliz demais. Prometi a ela que quando a cana crescer eu levarei uma Cana bem grande de presente a elas para retribuir a boa ação. Elas ficaram alegres em ver minha alegria, foi muito bom!
Quando sai de la, não via a hora de chegar em casa e plantar o meu pezinho de Cana!!!
Foi a primeira coisa que fiz. Assim que cheguei corri para dentro de casa peguei a pá e fui ao jardim cavar.

Agora tenho uma nova ocupação diária. Regar a Cana e cuidar para que cresça o mais rápido possível, pois já estou fazendo alguns bons planos para a comunidade com isto.
Estou sonhando com o dia que verei pessoas da comunidade vendendo rapadura feita das canas dos seus próprios quintais. Algo totalmente novo, imagine que legal! Acredito que não será difícil.

Bom, por enquanto continuo andando por aí, fazendo o que deve ser feito, enquanto controlo a ansiedade de ver o primeiro pezinho surgindo no meu jardim. Rsrs.
Só espero que eu não seja o culpado por campos de Bóia Frias nos próximos anos por aqui...rsrs.

Bom é isto pessoal, mais uma vez obrigado!

Felipe Gomes.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pessoas especiais (special people)




Andei pensando como é impressionante o número de pessoas especiais que passam pelas nossas vidas. E o número de pessoas que nada acrescentam as nossas vidas também.
Nesta semana tivemos a visita de uma voluntária Húngara que desenvolve o projeto na região de Oshakati já há cinco meses. Ela passou a semana inteira conosco, em um período que chamamos de investigação. A idéia dela foi conhecer a nossa região, estudar como o projeto esta sendo desenvolvido por aqui e ao mesmo tempo pesquisar sobre outras organizações e suas ações na região.


(Katya indo embora de carona)

Seu nome é Katya e tivemos a oportunidade logo nos primeiros dias de trocar muitas informações e discutir diversas idéias que venho pensando ao decorrer dos dias. Ela pareceu mais empolgada que eu quanto às idéias e me disse que nesta semana aqui gostaria de andar comigo pela comunidade para que começar a dar forma as minhas idéias, pois seria um grande prazer a ela me ajudar a manter esta motivação e esta vontade de fazer as coisas que neste momento realmente expresso. Digo “neste momento”, mas pretendo ter forças para correr atrás do que for necessário para ajudar, até o meu último dia na África. E farei o possível.

A Katya realmente foi importante no decorrer da semana e no domingo quando ela partiu de volta a divisão dela percebi quanta motivação pude captar com a sua presença. Fico feliz porque foi especial.

Refletindo sobre esta experiência, comecei a perceber que algumas pessoas passam pelas nossas vidas e sem importar o tempo que elas permaneçam presentes, sempre deixam algo de importante para ser levado a frente e utilizado.
Às vezes uma ação, uma conversa, uma palavra ou mesmo um gesto, podem nos trazer um novo conhecimento ou uma nova percepção sobre as coisas.

Há minutos atrás, eu estava lendo o livro, “O Caçador de Pipas”, e refletindo sobre a história deste livro que é uma lição de vida e que em cada página você pode identificar ações e comportamentos que sendo bons ou dos piores, sempre haverá uma lição para tirar e algo novo para refletir e em alguns casos mudar em seu próprio comportamento, se você ainda não leu este livro, não perca a oportunidade quando possível. Eu tive o privilégio de ganha-lo assim que deixei o Brasil iniciando esta minha nova vida, de uma pessoa que foi e sempre será muito especial na minha vida, minha amiga Rady. Ela, que me demonstrou o verdadeiro significado de muitas palavras e que mesmo depois da minha partida, agora lendo este livro que não tive a oportunidade antes, vejo que ela continua me ensinando.

Tenho muitos outros exemplos que carrego comigo, acabei de ler um outro livro bárbaro também que se chama “O vendedor de passados” de José Eduardo Agualusa, que realmente me trouxe muitas reflexões e flutuantes palavras que pesam no peito quando sugadas de nobres páginas beges de papel.

Este livro eu ganhei de meu amigo Régis que mesmo com tantos e tantos imprevistos na vida e coisas para se preocupar, conseguiu me presentear no Brasil, três dias antes de eu vir para a África. Acrescentando em minha vida novas palavras e pensamentos, porque não sentidos!

Andando pela rua em uma tarde ensolarada e seca de Katima Mulilo, um senhor de bicicleta me parou e pediu um minuto para conversar, dei-lhe atenção com certeza e ele começou a se desculpar, pois gostaria muito de ter participado do nosso evento de bicicletas em prol dos órfãos, mas, porém, na hora em que todos partiram com suas bicicletas a dele infelizmente quebrou. Eu realmente me lembrei dele no evento, pronto para fazer parte da mobilização. Mesmo com a sua simples bicicleta, carregando consigo um olhar cansado e demonstrando nos olhos negros toda falta de recursos para viver de uma maneira suficientemente necessária, ele estava lá e feliz por isto.

Naquela tarde ouvi desculpas de um homem que tudo que quis em uma noite de sábado, foi pedalar por órfãos de uma cidade vizinha e naquele momento se sentia culpado por ter uma bicicleta simples que não suportou a necessidade do momento. Posso dizer que foi, lindo, triste, comovente, realístico e principalmente proveitoso aquele momento, até agora não esqueço o rosto deste senhor e as lições que tirei daqueles dois minutos que conversei com ele.

Ganhei outra pessoa especial na minha vida também nos últimos dias que estive caminhando pelos vilarejos, não sei seu nome, sua idade, dele nada sei, mas em um breve momento vi uma ação desta pequena pessoa que também me fez refletir sobre muitas coisas e principalmente sobre qual é o verdadeiro sentimento que um ser humano deve ter pelo outro.

Um menino que eu diria ter no máximo quatro anos, pegando no colo uma bebe que diria ter um ou dois anos, realmente não tenho muita idéia da idade. Este menino viu a pequena irmã começar a chorar, não sei se de fome, cede, ou dores e sem pensar duas vezes correu ao lado dela e a pegou no colo, balançando-a como se fosse o pai da criança e acalmando-a com a técnica de uma mãe profissional. O detalhe mais impressionante é o tamanho destas crianças, eles eram quase do mesmo tamanho e mesmo assim o garotinho se sentiu na obrigação de acalmá-la no colo. Isto realmente foi um capítulo do livro lições da vida que eu decorei. Lindo demais!


(menino com a irmã no colo)

Bom pessoal! Acredito que todos nós temos pessoas especiais em nossas vidas, seja por um segundo ou pela vida inteira, pessoas que podem em um único gesto mudar conceitos, e na maioria dos casos naturalmente, estejam atentos ao seu lado pode haver algo ou alguém para lhe ensinar pequenas coisas que valerão ouro na sua dignidade.

Espero sinceramente fazer parte desta lista na vida de alguns! Rsrs
Muito obrigado mais uma vez a todos!

Um grande abraço from África!

Felipe Gomes.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

African Life!



Hello everyone!

São 6:40pm de terça feira, dia 29 de setembro.

Estou neste exato momento, sentado em minha cama com apenas a luz do notebook no quarto, pois não há eletricidade em casa desde que começou a chover a 30 minutos atrás.

Há algum tempo não chovia e hoje desabou o mundo aqui em Katima Mulilo, com direito a granizo e muito vento, a casa parece que vai cair em nossas cabeças de tanto barulho que faz.

Resolvi relatar como que ao vivo para poder expressar o que exatamente estou sentindo agora.

A palavra principal eu diria que é “espanto”. E espantoso o quanto esta chovendo, e se pensarmos, quase em pleno deserto, antes de começar o derramamento de água tivemos um tempestade de areia fortíssima também, pois o vento esta a mil por aqui!!!

Estou um triste neste momento, porque o que me passa pela cabeça são as pessoas que possivelmente perderão suas casas por aqui, pois algumas casas são feitas de barro por aqui e não suportam chuvas tão fortes. É bem triste, mas tomara que suportem a chuva de hoje.

Mesmo com esta chuva fortíssima, o que posso sentir é que o calor só aumenta e aqui dentro de casa esta impossível, realmente não é fácil de agüentar o calor daqui, tem que pastar muito!!! Rsrs

A melhor parte da história é que assim que cheguei em casa ao fim da tarde, percebi que iria chover, tomei um banho gelado rápido e depois corri pra cozinha esquentar o rango, mesmo sem fome, pois o nosso fogão é elétrico e já sabia que se chovesse não haveria luz! Comi numa boa e poucos minutos depois a luz realmente acabou... mas eu nem me preocupei, pois já estava bem alimentado...rsrs!!!

É realmente uma experiência muito interessante estar aqui e ter que me prevenir a qualquer tipo de imprevisto, pois assim é África, tudo pode acontecer, e eu adoro isto!

Bom, vou ficando por aqui para economizar bateria, foi muito agradável compartilhar este momento com vocês!!!

Um grande abraço e até quando a eletricidade permitir!!! Rsrs

Felipe Gomes.