segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bike Day!


Olá pessoal!!!!

Cá estou novamente para preencher os espaços vazios nesta página que da vida fala!

Hoje, estou Feliz, como tenho estado desde que cheguei aqui na África.
Neste último sábado participei de um evento muito gratificante em Katima Mulilo.O nome do evento era Bike Day.O objetivo era mobilizar a comunidade em prol dos órfãos da cidade de Bukalol, que fica a 35 km de Katima e tem o maior índice de órfãos da região.

A idéia foi criada pela Bea, húngara que trabalha no projeto comigo e esta aqui há 5 meses no projeto Child Aid que tem como objetivo trabalhar com crianças e suas famílias. Foi ela também quem mobilizou a comunidade e organizou todo o evento, conseguindo doação para tudo que fosse necessário e lutando contra todo tipo de barreira que surgisse no caminho, eu realmente fiquei orgulhoso de poder ver isto de perto, porque o que ela fez não foi nada fácil e tinha tudo pra dar errado, mas foi um sucesso absoluto. Me sinto muito bem de fazer parte disto, principalmente por poder ver um exemplo como esta de tão perto.

A atividade do evento era fazer com que o máximo de pessoas da comunidade, pedalassem em suas bicicletas os 35km até uma pré-escola em Bukalol para que ao chegar lá participassem do evento para as crianças.Ao mesmo tempo, outra equipe ficaria em Katima em frente ao supermercado, fazendo fundraising (arrecadação) para os projetos de hortas e suporte aos órfãos.

Depois de muita luta, de irmos as ruas caçar pessoas com bicicletas para participarem do projeto, de muita mobilização, às 8 horas da manhã estávamos no ponto de inicio da pedalada, e as pessoas já estavam por lá aguardando o inicio. Quando tudo parecia perfeito, um carro da policia nos informou que ninguém poderia pedalar para lugar nenhum sem os devidos equipamentos, ou no mínimo capacetes para todos. Uma merda. De onde o povo que mal bicicleta tem e quando tem se matam pra poder mantê-las pra poder se locomover com mais facilidade pela cidade, iria tirar capacetes de ciclistas, na hora foi absurdo.

A Bea se desesperou e viu a casa inteira cair sobre a sua cabeça, deu até dó, sentou na guia e sem saber o que fazer começou a chorar. Eu disse pra ela que não desistisse, as coisas dariam certo, pois depois de tudo que ela fez pra que aquele evento funcionasse, ele tinha que funcionar de qualquer jeito.

Em poucos minutos, como um anjo um cara da região chegou de carro, abriu a porta da pick-up e tirou várias caixas de capacetes novíssimos, distribuindo a todos e nos surpreendendo.Ele é um amigo da Bea aqui da região e demonstrou que realmente se importa com a comunidade, pois ele pagou em torno de 140 dólares namibianos em cada capacete, gastou provavelmente mais de 1000 dólares namibianos, o que significa muita grana aqui pra eles. Foi uma ação muito nobre!
Com isto, o evento pode prosseguir perfeitamente, com direito a escolta da policia e tudo.



(minha equipe de field officers no fundraising)

Eu fiquei em katima pela manhã, com a responsabilidade de organizar a equipe que faria a arrecadação, pois afinal, eles eram os officers que trabalham no meu projeto e que foram mobilizados para ajudar neste dia. A arrecadação foi um sucesso, conseguimos mais do que 500 dólares namibianos em meio período de trabalho, foi fantástico.

Este dinheiro servirá para iniciar o projeto de hortas que proverá comida para as crianças órfãs de Bukalol. Fiquei muito contente com o resultado. E com a atitude das pessoas que pude ver. Tanto os que doaram dinheiro, quanto aos que doaram tempo, esforço e amor.

As pessoas chegaram muito bem de bicicleta em Bukalol e o evento lá foi um sucesso também, as crianças fizeram uma linda apresentação de dança a todos, elas comeram bem com a comida fornecida pelo projeto e todos ficaram muito contentes com tudo.
Ao final eu apenas tinha uma frase para a Bea: “You got!” (você conseguiu!).


(crianças preparadas para uma apresentação de dança tipica)

Feliz pelas boas ações do mundo, aqui me vou, deixando espaço para a reflexão!!!

Muito obrigado pela atenção!

Um forte abraço a todos!

Felipe Gomes.




Lar sweet Lar!

(Frente da minha casa)

Ola meus queridos!

Eu gostaria de começar este novo relato agradecendo a todos que tem acompanhado os meus “escrivinhamentos” no blog, tenho recebido comentários de amigos e familiares e isto é muito positivo. Muito obrigado pela força!


Desde que cheguei aqui em Katima Mulilo, há 1 semana atrás, tenho vivido muitas coisas novas e me adaptado a uma vida totalmente diferente de tudo que já vivi, conhecido novos lugares e novas pessoas. E é claro, isto inclui, viver em novos lugares e com novas pessoas.

A casa que moro aqui em Katima é uma casa de porte médio, não é bonita, mas é aconchegante e segura, situa-se em um bairro até que organizado que fica há uns 20 minutos de caminhada do centro da cidade, onde tudo acontece.

A casa tem 3 dormitórios, um banheiro, sala e cozinha. Um quintal bom, com espaço inclusive para plantar algo, cavar um poço, que é algo que já estudei.

Temos eletricidade, às vezes não, assim como água, às vezes não temos também, e quando temos é gelada.


Moro com 3 pessoas, um Namibiano responsável pelo meu projeto, um cara e uma mulher ambos húngaros, divido um quarto com o Húngaro, no outro quarto fica a Bea e no outro o Protazius da Namíbia.

(Minha cama com mosquiteiro)

Temos muitos amigos dentro de casa, Baratas e mosquitos são os principais e que estão sempre presentes.

A presença dos mosquitos é o que incomoda mais, pois onde moro há um certo índice de malária, isto não é muito bom!

Ainda não conheço meus vizinhos, trocamos apenas “Bom dia”, e coisas do tipo, tenho falado mais com as crianças que aqui nos chamam de “Macua” (homem branco) e adoram perguntar se estamos bem e ficar dando Tchau para nós até que suma de vista, eu adoro isto, é interessante ver a atitude delas. As crianças às vezes perdem o caminho de tanto que olham para nós quando passamos, elas vão acompanhando todos os nossos movimentos, com os olhos fixos, elas são muito queridas.
As pessoas ao redor também parecem ser queridas, apenas não pude contacta-los ainda, aqui eles são um tanto que desconfiados do brancos.

Um coisa engraçada que descobri andando por aqui e coversando com as pessoas, é que sou o único brasileiro em toda a região. Isto é muito interessante!
Pude perceber também que eles gostam de brasileiros e tem uma certa vontade de aprender português, até por influência dos angolanos na região. Um senhor, ficou muito surpreso quando descobriu que eu era brasileiro, gritou para mim: "Nós temos um brasileiro na cidade e como eu nunca soube!!!"...rsrs...depois que contei a ele que estou aqui há apenas uma semana. Mas é engraçado este tipo de situação do dia a dia, vou aprendendo mais e mais com estas oportunidades.

Bom, esta é a minha vida caseira na África, logo escreverei com mais detalhes sobre isto, vamos andando!!!

Abraços a todos!!!

domingo, 27 de setembro de 2009

O escrevedor!

(Beethoven - "escrevedor" de belas partituras)

Lendo meus próprios escritos
Me emociono, às vezes choro
Lembro exatamente do que se foi
Sonho exatamente o que vivi naquele momento

Palavras, Deuses para mim
É assim que vivo a minha vida
E é assim que admiro os mais profundos sentimentos
Escrevendo...

Escrevo quando choro
Choro quando escrevo
Leio após o desabafo
Aprendo sobre mim mesmo

Da ponta da caneta as teclas do computador
O que emitem são puros sentimentos
Fecho os olhos e vejo o texto
Quando abro os olhos já transcrevi

Tenho aprendido
Acreditava que minhas palavras
Eram jogadas ao vento
Mas ao ler novamente

Pude compreender
Nada mais são
Do que a minha Alma
Em pura expressão!

Felipe Gomes

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Projeto


Namíbia – Africa

Olá meus amigos!!!

Aqui estou novamente para contar-vos minhas sagas por esta terra de areia branca chamada Namíbia.

Segunda feira dia 21 de setembro eu iniciei a minha participação no projeto.Na verdade seria mais um dia para que eu descansasse da minha longa viagem, mas acordei cedo e estava muito bem, então decidi acompanhar os outros dois voluntários que moram comigo até o escritório já para ver o que estava rolando por lá.

Coloquei o meu chinelinho com a Bandeira do Brasil, enchi uma mochila do que eu precisava e “Pé na areia!”. Após uns 20 minutos ou mais de caminhada na areia fofa chegamos ao escritório. Pude acessar a internet, ter contato com as pessoas que coordenam o projeto e entrar mais no clima.

Logo de cara, participei de uma reunião do conselho do projeto que ocorre toda segunda feira para decidir o que será feito na semana, discutir novas idéias, ver status dos projetos e organizar tudo, então, toda segunda feira eu estarei lá para esta reunião. Provavelmente será o dia em que com certeza eu atualizarei o blog, pois é quando terei acesso à internet.
A reunião foi boa, pude me interar mais sobre o que esta acontecendo neste momento e inclusive como quem cai de pára-quedas, ou quem pega o bonde andando, ou como quem... Ah... Todas estas expressões que conhecemos bem, eu já cheguei dando palpite e conseqüentemente ganhando mais responsabilidades. O problema era que os oficiais de campo (pessoas que vão as casas para conversar com as pessoas e levar as informações de casa em casa) que trabalham conosco, estão um pouco sem tarefas aos sábados, quando eles comparecem ao escritório. Não sabiam o que fazer quanto a isto. Deram a idéia de colocá-los para limpar o galpão do escritório, o que eu achei um absurdo, pois os caras são a nossa linha de frente e temos que cuidar de quem nos representa diretamente, limpar o galpão, em minha opinião, não será o maior dos incentivos a eles, neste momento eu disse que devíamos investir na educação deles, aproveitando o tempo livre para educá-los melhor, trazer conteúdos interessantes e ensinar.

Na hora nada foi decidido.

Mas depois da reunião, o meu coordenador apenas chegou a mim e disse que eu teria que fazer um plano quanto as aulas para os oficiais de campo, ou seja, eu dei a idéia eu que faça acontecer.


Por um lado é bom porque eu realmente desejo que aconteça e farei o possível pra isto.

Minha função aqui é a seguinte, eu sou um instrutor de desenvolvimento e tenho que acompanhar de perto tudo que esta sendo feito no projeto cuidando para que tudo seja feito corretamente e para que o projeto continue funcionando de maneira eficaz.Trazendo soluções para os problemas atuais, conhecimento para quem trabalha em campo e leva a informação as pessoas, acompanhando o trabalho destes, também indo pra campo para que eu possa verificar se alguma informação incorreta esta sendo passada, se a maneira com que eles estão atuando esta correta e principalmente para ver se eles realmente estão trabalhando.

Além disto, trazer novos projetos, conseguir patrocínios, desenvolver eventos e divulgar o programa também faz parte das minhas funções na organização.

Ainda não pude sentir muito o projeto, pois o começo esta um pouco lento o dinheiro atrasou para chegar esta semana e então ficamos um pouco amarrados. Pois para as visitas em campo, muitas vezes temos que pegar taxi para chegar ao destino, pois não há como caminhar até certas vilas. Digo taxi, pois não há meio de transporte por aqui, apenas carros destruídos (porque não há carro que sobreviva nestas estradas) que cobram um preço único para te levar para algum lugar dentro de uma divisão, muitas vezes no meio do caminho outras pessoas entram, mesmo indo para o lado inverso elas vão indo junto e o preço é fixo e por pessoa. Então por esta falta de dinheiro não pudemos andar muito por ai ainda, mas com certeza ainda andarei e muuuiiiiito. Mas não me importo. É o que quero.

Na reunião, descobri que há uma fábrica de Moskito net (mosquiteiros) que nos doa certa quantidade para que nós possamos distribuir para comunidade, contribuindo na prevenção da malária, gostei disto, o problema neste momento é apenas de transporte para a distribuição, mas isto sendo pensado já.Neste exato momento, eu quero ir para campo com os oficiais para começar a conhecer muito bem a comunidade e poder ver quais são os problemas principais. A partir deste conhecimento vou poder ver quais dos projetos que já tenho em mente são aplicáveis. E ai levar à organização, para a discussão da viabilidade destes, e ao mesmo tempo conseguir patrocinadores para isto. Tenho bons projetos na manga, tenho discutido muito com meu amigo Marco (quando possível pela internet) que está em Rundu, onde dormi uma noite antes de vir para cá, alguns bons projetos e como fazê-los, confesso que as idéias estão realmente surgindo e os desafios ganhando forma, isto cada vez me torna mais forte e me deixa totalmente impaciente para que as coisas comecem a acontecer logo.

Um dos projetos que vejo aqui tem a necessidade de cavar e estou tão empolgado que até uma pá eu já achei no mesmo dia que decidi tocar esta idéia. Logo todos saberão do que se trata e verão algumas inovações que estou planejando para algumas coisas, torçam por mim para que eu possa trazer estas minhas idéias à tona e ajudar estas pessoas com algo que de fato possa mudar suas vidas. É o que mais quero neste momento.


Vamos em frente, que....atrás não tem ninguém não rapá...rsrsrs!

É isto galera, logo explicarei mais sobre o projeto e minhas vivências “in Africa”.

Valeu, um grande abraço!


Felipe Gomes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Going to Katima Mulilo



( o "Onibus" que me trouxe muitas surpresas no caminho)

Going to Katima Mulilo

Às 7 horas da manhã do dia 18 de setembro de 2009, eu levantei, tomei um banho, comi uma fatia de pão com geléia e um copo de leite e fui para a estrada com toda a minha bagagem pegar um táxi para o posto de gasolina (estação de ônibus).

Cheguei ao posto eram 8 e pouco da manhã e descobrimos uma Van que iria partir para Katima. Paguei 190 dólares namibianos (20 dólares e pouco), peguei o banco ao lado do motorista e esperei...esperei... e esperei. Pois aqui uma Van só parte para a viagem quando estiver lotada, não há horário.

Fomos partir, eram 11 e pouco da manhã...
A Van chinesa estava caindo os pedaços, dava pra ver de cara, mas realmente não dá pra escolher muito, até porque as outras geralmente não são diferentes também.Bom, partimos e eu já estava com uma sensação um pouco ruim quanto à viagem, mas tentei não me preocupar.

Após 200 kilometros de viagem o motor da Van ferveu e tivemos que parar. A parada foi em uma área nada desenvolvida, onde havia tribos e vilarejos, achei interessante pra poder chegar mais perto destas pessoas e apreciar melhor o modo de vida deles. O motorista da Van foi pedir água nos vilarejos para colocar no carro, deu uma dorzinha no peito, pois as pessoas não se recusaram em momento algum, mas eu as via passando a caminho de algum rio ou poço que não parecia ser perto, com seus containeres na mão e nós lá usando a água pro motor do carro. Foi bem ruim.

( na estrada com o onibus quebrado)

Bom, o motor ferveu, mas não fundiu mesmo em altíssima temperatura. Abrimos o motor que era embaixo dos nossos bancos na frente. Eu disse ao motorista que provavelmente estava vazando água e a ventoinha não estava funcionando também, mas ele não me ouvia e foi até engraçado apreciar a cena dos 3 Africanos em volta do motor, olhando, olhando e um falava pro outro: “É algo muito fácil de resolver, o problema que não sabemos o que é...”, eu estava me divertindo, os caras não manjavam nada de carro e ficaram discutindo coisas óbvias. Eu já sabia que nós não chegaríamos nem a próxima cidade que era há 15 kilometros dali, porque o motor ainda pegava, mas já estava arregaçado. O cara botou água no motor, disse à ele que ele tinha que ligar o motor para botar água, pois senão travaria o bloco, ele ligou, mas quando eles viram que quando água batia lá dentro fervia e era cuspida para fora novamente, decidiram que isto acontecia porque o carro estava ligado e desligaram...rsrs...eu estava só de canto, cada decisão desta eu guardava na memória para escrever depois...hahaha. Eu estava me divertindo.

O problema mesmo eu já sabia qual era, mas o motorista não se conformava com o motor quente daquele jeito e ficava o tempo todo dizendo: “What’s wrong man? What’s wrong man?” ( o que há de errado) e apavorado. Até que conseguimos andar mais alguns 5 kilometros com o carro e aí o motor fundiu de vez. Paramos e eles insistiam que era só colocar água, que o problema era que não estava cheio de água até a boca...até que um senhor do último banco, trouxe uma idéia inovadora, foi interessante, não funcional, mas interessante. Para ele o problema era radiador sujo, então tinha que fazer o carro funcionar com coca cola ao invés de água. Que limparia tudo...rsrs. Eu só ria de longe e comecei a perceber que se ninguém nos buscasse ali, dormiríamos por ali mesmo.

E era o que parecia que viria a acontecer. Pois ligavam para o dono da Van e ele dizia que estava vindo, mas nunca dizia quanto tempo e nem quando.

Aproveitei para dar uma volta pelas vilas pra ver mais de perto as casas e as pessoas, tirar algumas fotos, porém, fotos mesmo não consegui muitas. Pois percebia que as pessoas estavam com receio de mim e muito, se eu sacasse a câmera ali na frente delas do nada, era capaz deles se sentirem ameaçados.As crianças passavam e não conseguiam parar de me olhar, carregavam água e quase perdiam o caminho de tanto que fixavam os olhos em mim, foi uma experiência interessante.
(rolezinho na vila!)
Enfim, estávamos ali parados ainda, sem expectativas alguma quanto à ajuda. Com o passar das horas, as pessoas foram ficando irritadas e começando a cobrar do motorista soluções que realmente ele não poderia trazer. Mas é engraçado, mesmo nestas horas eles são muito sossegados, sempre sai uma piadinha e as pessoas não conseguem ficar sem rir. Isto é bom. Ajudou bastante.

O medo surgiu nas pessoas também, é engraçado que eu estava sossegado, curtindo tudo, aproveitando para conhecer mais sobre as pessoas e suas ações. E eles começaram a se preocupar com a possibilidade de dormir por ali mesmo, começaram a falar do cair da noite, de leões, de elefantes que destroem carros e de malária, mesmo assim eu ainda estava tranqüilo, mas esperando que se fosse pra dormir ali, que pelo menos rende-se a foto de um belo leão...rsrs.

Bom, quando a noite caiu, todos fomos para dentro da Van e nos trancamos por lá, o cheiro realmente não era bom, aliás, estava ruim demais. Mesmo assim dormir por um tempinho, eu acordei quando uma outra Van chegou para nos socorrer 7 horas depois de tudo começar e nela estava o dono da “bela” frota.
Fomos puxados até a próxima cidade e seguimos viagem com a outra Van, que não era chinesa. Ufa! Mas bem velha também.
Eu estava faminto e com muita cede, mas não havia nada aberto no caminho.

No caminho passamos em uma área que soube que os elefantes atravessam a estrada o tempo todo e que os leões dormem no meio da estrada. Realmente havia muita sinalização quanto aos elefantes e no final das contas acabei vendo um, mas como era à noite, não pude reparar muito, mas foi muito show ter esta oportunidade, depois disto pude dormir mais ou menos. Acordava de tempos em tempos e vi algo que era triste, muitas queimadas, devido ao calor que faz aqui. A noite era clareada pelo fogo na beira da estrada que invadia as florestas. Era bem triste mesmo, havia muitos focos no caminho.

Seguimos viagem até que às 3 horas da manhã, cheguei a Katima Mulilo, liguei para o Protázio meu Project Leader aqui e ele me buscou a pé com outro voluntário da casa, andamos pacas e minhas malas estavam muito pesadas, foi um momento bem ruim mesmo. Mas finalmente em casa!

Cheguei, comi, não tinha água, então dormi, sem tomar banho mesmo, estava quebrado.

Felipe Gomes

Atrevessando a Namíbia - Rundu

(Vista no caminho de Rundu)

Olá Amigos.

Após 8 horas de viagem até Rundu, sentado no banco extra da van, aquele que o encosto é só a metade de um normal, chegamos a Rundu.

A viagem foi interessante, foi como um safári pela África, atravessamos diversas cidades e no caminho pudemos apreciar diversas curiosidades. Cidades muito bem organizadas e limpas, estilizadas ao modo alemão, devido à colonização Alemã por aqui que ainda é bem visível em alguns lugares.

Ao mesmo tempo vislumbramos o estilo Africano também, a pura África. Casas de barro, vilarejos e tribos na beira da estrada, pessoas que vivem sem eletricidade, sem água potável e das suas próprias criações e caças, como pude ver as cabras são muito comuns por aqui e vacas e bois, algumas famílias conseguem criar duas cabras ou dois bois, outras já possuem mais, um rebanhozinho às vezes. Na maioria destas pessoas, eles apenas andam descalços, carregam containeres enormes de água até o rio e voltam com eles na cabeça e são mulheres e crianças. Ás vezes até difícil de acreditar nas crianças que possuem esta responsabilidade, tão pequeninas, mas muito novas e já sabem exatamente o que devem fazer.

(Eu e Younghak em Rundu)

O interessante da viagem também, foi que pudemos ver alguns animais pelo caminho, muitos javalis, vimos macacos, 4 girafas, muita cabra e boi e um avestruz enorme. A parte das girafas e do avestruz foi o mais interessante, pois aqui é como a coisa mais normal do mundo, eles estavam na beira da estrada comendo numa boa, foi muito legal ter esta oportunidade, até porque pudemos nos sentir muito mais na África mesmo, sabendo que os animais estão à solta por ai, porque em Windhoek, na capital, realmente não tivemos esta sensação. Fora as histórias de leão e elefantes pela estrada que foram contadas.

Algo que tem me impressionado muito por aqui é a habilidade das pessoas de falar diversas línguas ao mesmo tempo. Na Van da viagem, havia uma senhora que se sentou na nossa frente que falava português, ao mesmo tempo inglês e pude perceber mais duas línguas locais, e o mais engraçado tudo ao mesmo tempo, o motorista falava com ela em uma língua local, a sobrinha dela em português, outras pessoas em inglês, uma loucura só e ela respondia tudo na sua devida língua. Por exemplo, conversando com um motorista de Vans daqui, descobri que em Katima, aonde vou morar existem 9 línguas diferentes e ele, originário de la, contou-me que fala todas. É algo realmente interessante por aqui.
Bom, a chegada a Rundu foi como o planejado, nada organizada...rsrs! Quando chegamos por la fui ligar para o nosso contato que decidiria como seríamos buscados no posto de Gasolina que chamamos de estação...rs.

Porém, tentei usar o cartão telefônico que tinha comprado em Windhoek, mas o orelhão não estava lendo os cartões e só existia aquele orelhão, realmente perdemos um tempão para achar uma solução. Por sorte, na loja de conveniência do posto vendia chips para celular e eu já tinha o aparelho, consegui comprar o chip e já sair ligando numa boa. Ligamos para a responsável e ela pediu a um outro voluntário da área nos buscar de táxi. O táxi por lá tem preço fixo, são 7,50 doláres por pessoa, devido a isto vira tipo lotação, quanto mais quiserem pegar o carro melhor para o motorista.

Bom, fomos para a casa da organização em Rundu, onde o Marco irá morar. A casa é realmente confortável, tem luz, água, chuveiro quente e três quartos, bacaninha. A cidade também pareceu boa, apesar de eu conhecer muito pouco. Tomei um banho e senti o cansaço da viagem, logo o Younghak que foi do meu time na Califórnia chegou em casa, ele já esta por aqui a alguns dias e morará com o Marco. Foi legal revê-lo e já saber como as coisas estão andando no projeto dele, que afinal é o mesmo que o meu. ”Total controle de epidemias”.

O Younghak cozinhou para nós, fazia um bom tempo que não víamos comida de verdade e comemos muito bem. Valeu Younghak! RS

Após isto o que me restou foi escrever um pouco no note e dormir até o outro dia as 7 da matina quando eu sairia para iniciar mais uma jornada de 8 horas até a minha divisão, Katima Mulilo.

E lá se foi o Felipão mais uma vez, cada vez mais adaptado a esta interessante África.

Abração!

Namíbia

(estrada do aeroporto até a cidade de Windhoek)

Namíbia

No dia 16 de setembro de 2009, fui às 10 horas da manhã para o Aeroporto de Johannesburg, andando por La antes do embarque, encontrei o Marco meu amigo que iria pra Namíbia no mesmo vôo, porém, ele tinha feito outra rota para chegar até a África do Sul, que durou um dia a mais que a minha. Voamos juntos e chegamos à Namíbia em um vôo de duas horas direto de Johannesburg, África do Sul. Eram 2 horas da tarde na Namíbia, passamos pela imigração, pois já tinhamos o visto na mão, peguei minhas malas e o Marco as dele e saímos da zona de desembarque, encontrando o motorista que nos levaria para a acomodação em Windhoek, capital da Namíbia. Trocamos uma grana no aeroporto mesmo e fomos direto para a acomodação, atravessando todo o centro da cidade de Windhoek, que se apresentou meio Germânica, meio Britânica e pouco Africana. Mas realmente interessante.
(encontrando o Marcão sem querer no aeroporto de Johannesburg - Africa do Sul)

A hospedagem era muito simples, apenas um quarto com duas camas, banheiro comunitário e sem refeições. A Marcão, após 3 dias sem dormir, caiu no sono e eu resolvi conhecer a cidade a pé.Andei bastante, conheci toda a Avenida principal, Independence Avenue, que possui muitas opções de lojas, alguns shoppings, mas eram 6 da tarde e tudo já estava fechado, eram incrível como não pude entrar no supermercado pelo horário, a minha única opção eram um KFC que estava aberto, decidi comer lá e levar algo pro Marcão na volta, foi o pior atendimento que recebi em toda minha vida, o frango acabou e estava demorando para ser frito mais, as atendentes não estavam nem ai e os clientes reclamando demais, demorei 40 minutos para conseguir 3 pedaços de frango, foi horrível, mas não haviam opções. Esperei!

Voltei andando para a acomodação, já era noite, umas 7:30. Houveram momentos que tive medo, confesso, pois as ruas já estavam vazias e as pessoas que estavam na rua me olhavam muito...mas enfim, cheguei ao hotel numa boa e acabei dormindo um pouco para descansar também. Umas 11 horas acordei e o Marcão acordou também, decidimos ir ao posto de gasolina que eu tinha visto no caminho, comprar algo na conveniência, para comer e tomar, inclusive para o outro dia de manhã.

Chegando ao posto, estávamos escolhendo algo na conveniência e acabamos iniciando um papo com o segurança de La, foi engraçado porque o cara se mijava de rir de piadas infantis que fiz...rsrs. O cara era gente boa, deu umas dicas de língua para nós, dicas sobre a área que ficaremos, pois ele conhecia muito bem. E entres as dicas dele, uma foi para não andar de maneira alguma pela cidade de Windhoek a noite , ou seja, exatamente o que estávamos fazendo...disse-nos que a cidade era perigosíssima e que ninguém, nem eles mesmos andam a noite por lá. Aceitamos a dica, mas tivemos que caminhar pra casa do mesmo jeito...

Ao final ele pediu pra que comprássemos um refrigerante para ele, eles chamam de gasosa...hehe, usamos o velho e já conhecido texto de que somos voluntários e que não podíamos pagar pra ele, demos o troco que recebemos e ele ficou agradecido.Já percebemos que aqui realmente o “tip” (gorjeta) é bem típico para qualquer caso de informação, ajuda involuntária e etc..

Voltamos numa boa até o hotel, comemos umas bolachas e tomamos refri, depois fui dormir. Tinha que levantar às 6 horas do outro dia, para partir as 7 para a estação de ônibus.

Às 7 horas da manhã, fomos acordados pelo motorista que nos levaria, batendo na porta...eu programei o celular para despertar, mas coloquei a hora local errada...my foult!

Levantei correndo e em 15 minutos estávamos dentro da van para ir pegar o ônibus.

Quando chegamos na estação de “ônibus”, surpresa!!! Na verdade eu já sabia como era mais ou menos, pequenas e velhas vans paradas num terreno baldio, esperando lotar para iniciar a viagem e se não lota não sai!

Pagamos, nossas malas foram para um trailer de madeira que estava conectado a Van.

E ai sim, após uma hora de espera, ou mais, ainda estávamos sem horas, partimos para Rundu, ao extremo norte do país, previsão de viagem...8 horas.

Iniciamos nossa travessia Africana pela Namíbia.
...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Africa do Sul



Hello!

Eu pousei no aeroporto de Johannesburg as 7:21 da manhã. Após uma viagem ótima, como descrevi antes. O aeroporto é o maior da Africa e realmente é imenso, demoramos quase 20 minutos para taxiar e descer do avião. Além de grande é muito bonito e organizado.
Antes de pegar minhas malas, fui diretamente passar na alfândega, onde funcionários um pouco impacientes insistiam em falar a Língua Zulu em frente aos estrangeiros e ao dar instruções aos visitantes, não se conformavam quando alguém não entendia o inglês um pouco sujo e acentuado deles.

Ao passar pela alfândega facilmente e pegar o carimbo Sula Africano, fui recolher minhas malas na esteira, tudo muito fácil e organizado, aliás, rapidíssimo também. Coloquei tudo no carrinho e parti para o caminho de saída, ao arrastar meu carrinho por 1 minuto, fui abordado por um policial que me questionou de onde eu vinha, respondi “Brasil”, ele tinha acabado de barrar um outro cara que aparentava uns 45 anos, bem vestido, porém, eles não estavam se entendendo, pois o cara não falava inglês e o policial me questionou se eu poderia entender a língua do cara. Perguntei para o senhor se ele era Brasileiro e ele disse que sim, para o meu azar...

Naquele momento fui arrastado para um canto do aeroporto com o outro Brasileiro com um título muito nobre, “Tradutor”. Até ai beleza...eu estava limpando a barra do brasileiro até onde pude, pois o cara não entendia o porque ele tinha saído do Brasil para visitar um amigo e queria dados mais concretos, até que entendeu e decidiu varrer todas as malas do cara. Enquanto abria as malas do Brasileiro, ele resolveu me questionar o que eu estava fazendo aqui, respondi que passaria apenas um dia, pois meu destino é a Namíbia. Ele começou a me questionar sobre tudo, queria dados, telefones, documentos, lembrando...neste momento eu já tinha o carimbo Sula Africano...mas, caí de gaiato no navio!

Enfim, após ele tirar tudo de todas as minhas malas, pedir para ligar o notebook, ficar olhando pro remédio contra malária que trouxe, sem querer entender o que era, como se eu fosse um traficante...ele olhou para mim e disse , ok, você pode recolher todas as suas coisas e ir!

Fiquei meio puto, pois pra fechar as malas de novo foi muito triste...

Mas beleza, peguei tudo montei meu carrinho de novo, e andei 70 metros empurrando aquilo, quando ouço alguém gritar, “Hey my frrriend!”, fingi que não era comigo e fui perseguido. Um outro cara pediu para que eu acompanhasse ele também. Quando parei e ele pediu todos os meus documentos e começou a olhar as minhas malas, como quem quisesse abri-las, não me segurei e tive que perguntar, “Are you kiding me?” (você esta brincando comigo?), ele na hora perguntou o porquê da pergunta, eu disse que a menos de 100 metros eu tinha sido parado pela polícia e tive as malas reviradas por completo e agora ele iria fazer o mesmo? Ele foi muito convincente na resposta, apenas disse: “Eles são da Polícia, eu sou da Polícia especial, há diferença!

Calei-me e fiquei olhando para ele, eu não podia fazer nada.

Após toda a checagem de documentos e mil perguntas, fui liberado e pude sair do aeroporto...ufa!!!

Achei o Tanzo, motorista do Hostel, com uma plaquinha escrita “Felipo Gomez”...rsrs.
Ele me levou ao hostel, no caminho já fiz mil e uma perguntas, descobri, que aqui usam Quilômetros, que a moeda local, o Rand, vale 7 vezes menos que o dólar, eles dirigem do lado oposto ao nosso e a língua mais falada é de fato o Zulu, eles usam o tempo todo, inglês é apenas souvenir.

Cheguei ao Hostel e fui muito bem tratado, peguei um quarto bom e descobri que para tudo que quiser fazer devo pagar e não é barato. O hostel fica dentro de um condomínio fechado, que eu compararia com qualquer condomínio do Morumbi em São Paulo, porque as casas são até maiores, é tudo muito lindo e “Rico”.

Resolvi que tomaria um banho e daria uma volta a pé para conhecer o lugar, quando perguntei a recepcionista sobre o que eu poderia conhecer a pé, ela olhou assustada, como se fosse proibido sair a pé e disse, só não fale com estranhos e deu uma risada sarcástica. Não entendi!
Sai do hostel a pé e fui achar algo barato pra comer. No caminho comecei a reparar nas casas, todos que moram aqui são Brancos e loiros, totalmente ingleses. Os jardineiros, pedreiros, porteiros e etc..são os negros. Um negro sentado na calçada em frente a uma grande casa ficou me olhando quando passei, disse olá a ele e ele me respondeu um enorme sorriso e um sinal de ok muito feliz, foi bacana, eu poderia ter passado batido por ele.

Ao sair da portaria do condomínio, também saudei o porteiro que me respondeu da mesma maneira, mas é engraçado, porque os dois falaram comigo em Zulu e não pude responder como gostaria.

Fui a um conjunto de lojas que fica a 20 minutos de caminhada do Hostel. Lá pude comprar um sanduba no mercado, uma coca, trocar um pouco de dinheiro por Rand e verificar algo sobre o chip para o meu celular. O engraçado foi que na loja de celular, fui atendido por um Branco, alto, loiro, totalmente inglês, quando falei em inglês com o cara, ele começou a suar e apresentou um inglês muito ruim, quando ele foi tirar dúvidas com outra atendente, falou com ela em frente a mim em Zulu, foi interessante ver esta cena.

No caminho também vi muitos vendedores de farol, igualzinho em São Paulo, mas muitos mesmo. Eles quando me viram estranharam demais, estava na cara deles, pararam de trabalhar para me encarar, confesso que até fiquei com medo, mas realmente acredito que eu era o único branco a pé naquela região e de bermuda e chinelo...rsrs...pra piorar, turista total...rs.

Voltei ao Hostel e dormi a tarde inteira até as 7 horas da noite, senti o cansaço da viagem que ainda não tinha aparecido.

Agora arrumarei minhas malas de novo e me preparo para partir amanhã cedo para a Namíbia em um vôo de 2 horas até Windhoek.

Escrevi demais já galera...ufa! Mas são tantas emoções...hehe.

Na Namíbia eu realmente não sei quando terei acesso novamente à internet, mas aguardemos!

Abração enorme à todos!

Felipe Gomes

Chegada na Africa!



Hi There!


Em 14/09/2009 embarquei mais ou menos as 6:15 da tarde no aeroporto de Guarulhos, diretamente para África do Sul, aeroporto de Johannesburg.


Começarei confessando que tem sido a melhor viagem de avião que já fiz. Digo tem sido, pois escrevo este relato ainda dentro do Avião. A companhia South African deu de 10 a zero na americana America Airlines até agora, esta é a base de comparação que tenho.


Tive uma noite muito agradável no avião, que não esta cheio, por isto pude me deitar para dormir ocupando duas poltronas. A programação de áudio e vídeo também é muito boa, filmes atuais, séries atuais, boa música, gostei muito.


A parte mais agradável de minha noite, foi quando em momento perdi o sono e deitado nas duas poltronas, pude olhar para fora da janela, como em um camarote, e ver o céu mais estrelado da minha vida, neste momento estávamos a mais ou menos uma hora da costa Africana, mais precisamente a costa Namibiana.

Realmente foi algo fora de sério que me fez inclusive perder o sono e passar a noite ouvindo um bom Blues enquanto olhava para as estrelas do céu africano. Wonderful.


Poderia escrever um livro de poemas naquele momento, confesso que recitei sozinho e em silêncio todos que escreveria, mas infelizmente não estava capaz de documentá-los.


Neste exato momento sobrevôo o céu da Namíbia e acabo de ver o sol nascer pela janela do avião, foi fantástico, as fotos que tirei nunca poderão expressar a sensação que senti ao ver o sol nascendo na África pela primeira vez!


O meu embarque em São Paulo foi corrido e desorganizado, infelizmente o trânsito da cidade mais uma vez colaborou para a correria e o stress. Mas ao final deu tudo certo!

Tive a presença de minha mãe, minha irmã, o Guizinho, minha tia Dalva e meu primo Daniel, que me ajudaram muito neste momento também. Já sinto saudades do que ficou, aliás, mais uma vez, pareceu fácil, mas não foi. Porém aqui estou chegando na África mãe e realizando mais um sonha na minha vida e assim continuarei, até que me dê por satisfeito, se um dia isto acontecer.


Quanto a África, ainda nem pousei no aeroporto, mas já me sinto parte de tudo isto, estou emocionado pelo sentimento que sinto neste momento referente a África, estou encantado com tudo, o atendimento no avião, foi muito mais “Humano” eu diria do que outros que já tive, as línguas locais que pude ouvir no trajeto já me atraíram muito, é tudo muito interessante!!!
África, África, África!!! Estou adorando tudo até aqui!


Um Abraço a todos e logo mando mais notícias, assim que possível!


Abraços.


Felipe Gomes.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Amor

"Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida,explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim,que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta?
O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido,a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita.
Ou melhor, só se Vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto."

(Paulinho Moska - Do Amor)

domingo, 13 de setembro de 2009

São Paulo - Brasil

(Foto - Felipe Gomes - 09/11/2009 - Avenida Paulista)

Desde do dia 09 de agosto de 2009, estou no Brasil.

Após nove meses nos USA, vivendo uma vida totalmente inversa a realidade paulistana que hoje não compreendo mais, volto e passo sem perceber a viver sobre um comparativo terrível que me entristece quando penso que a minha cidade natal ja não é suficiente às minhas necessidades.


A minha primeira semana em São Paulo foi ótima, revi muitas pessoas importantes, minha família, ótimos amigos, mas já na primeira semana senti também uma nostalgia por deixar de viver tudo que era tão intenso nos USA para mim e isto com certeza me abateu de certa maneira.


Até que pude rever pessoas que lá estiveram comigo e falar sobre tudo que me fazia falta naquele momento, sobre algo que a propósito tinhamos em comum. Fiz bons amigos por lá.


Sai as ruas aos poucos quando a preguiça provida de certa estranheza me libertou ou por pura necessidade.


Reparava como as coisas ainda eram iguais e nas pequenas diferenças não pude encontrar nada de positivo, algumas coisas mudaram, para pior, infelizmente.


A vida está dura por aqui, fico feliz de ver que amigos meus estão trabalhando e se virando bem, crescendo aos poucos e sobrevivendo, mas não consigo ver a minha vida inclusa nesta loucura pesada e acelerada chamada São Paulo.


Para mim, a nossa tão querida São Paulo, continua maravilhosa e linda, pois sou apaixonado por ela, mas infelizmente esta é uma visão romântica que tenho, a verdade é que a linda São Paulo esta doente! E por ação do homem que esta cada vez mais correndo atrás de algo que ninguém sabe dizer exatamente o que é.


Aproveitei o que pude até aqui, comi em lugares de que sentia falta, via a noite cair em plena Avenida Paulista, passei horas de madrugada tomando café em algum lugar agradável com bons amigos, assim como antes, fui ao centro velho, assisti ao um concerto de piano gratuito na praça da Biblioteca Mario de Andrade, vi grupos de Choro tocarem na praça Benedito Calixto, caminhei de la ao centro novamente para ver como esta a paisagem no caminho, comi a melhor pizza do mundo a Paulista, assisti palestras sobre poesia, filosofia, história, música e vi um jogo da seleção com meu pai, fui ao outro lado da cidade de madrugada para acompanhar amigos amáveis em um belo lanche, ri em frente ao prédio da gazeta na Paulista, ouvi e contei histórias, novidades, fui ao estúdio reencontrar amigos musicos, toquei, ouvi, curti, dirigi muito, sempre em busca de diversão, li belos livros, li poemas dentro da Casa das Rosas na Paulista também, vi uma estátua linda de São Jorge dentro do conjunto nacional, onde também apreciei uma estátua de um cigarro enorme feito com bitucas de outros cigarros, enfim vivi o que minha São Paulo pode porporcionar de bom também e agora parto!


Parto para outro mundo distinto, vou a Africa!

Finalmente minha vida continua, neste momento me sinto como que congelado e não vejo resultados em tudo que vim planejando durante todos os últimos meses, preciso partir, preciso voltar a ativa!


E encontrarei coisas que nunca encontrei anteriormente, me depararei com situções ainda inimagináveis, mas que me sinto pronto para encarar. E necessito encarar!


O que será da vida pós Africa? Só poderei responder daqui a 6 meses. Quando novamente mudar a minha realidade.


Vamos indo, que o futuro me reserva muito ainda......


Feliz por partir!


Felipe.


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vida!

(Miró)

Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis se esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas que eu nunca pensei que iriam me decepcionar, mas também

Já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,

Já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado, mas também

Já fui rejeitado, fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,

já vivi de amor e fiz juras eternas, e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,

Já liguei só para escutar uma voz,me apaixonei por um sorriso,

Já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!

E ainda vivo!

Não passo pela vida.

E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,

Abraçar a vida com paixão, perder com classe, vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve.
A vida é "muito" para ser insignificante."


(Charles Chaplin)

Finalmente, chego ao Brasil!

(Guarulhos Airport - Mamãe)

Olá à todos!!!

Em 9 de agosto eu cheguei ao Brasil.

Eu vou passar 2 ou 3 semanas com minha família e amigos antes de eu ir para a África!

Tive uma sensação nova, quando vi as pessoas que eu amo tanto e que eu não podia ver nos últimos 9 meses. Foi uma experiência agradável, os meus sentimentos quase explodiram quando vi minha mãe, minha irmã, meu pai e meus melhores amigos e o mais importante, finalmente, consegui conhecer o meu sobrinho pequeno e tão bonito que nasceu em abril, Guilherme.

Agora, eu estou aqui em São Paulo a maior cidade do Brasil. Apreciando o que posso com os meus amigos e familiares, mas sentindo algo diferente, talvez eu sinto que tenho que ir o mais rápido possível para a Africa, porque eu sei, a minha missão apenas acabou de começar.

Vamos ver o que acontece!

Abraços à todos.